A canção, originalmente gravada pelos The Zutons em 2006, até conseguiu algum destaque no top britânico, atingindo um 9º lugar. Mas foi preciso esperar mais um ano pelo toque do produtor/DJ/multi-instrumentalista Mark Ronson e, especialmente, pela voz poderosa de Amy Winehouse para “Valerie” chegar ao seu mais elevado patamar de popularidade. Uma apropriação tão plena que, quando os The Zutons tocam o tema nos seus concertos, a maioria dos que estão na assistência julgam tratar-se de uma versão do tema de Amy Winehouse.

Em entrevista ao New Musical Express, em 2008, o líder da banda de Liverpool, Dave McCabe, confessou: “Acho que todos acreditam que a canção é da Amy Winehouse… Não me importo”.

Mark Ronson

Mark Ronson também não. Nascido e criado no meio da música - o pai era agente musical e a mãe, após a separação, acabaria por casar com Mick Jones, guitarrista fundador dos Foreigner - era uma espécie de pré-destinado. Começou como DJ e pelos ritmos hip-hop e foi por aí que ganhou notoriedade, nos EUA. O seu primeiro disco, “Here Comes The Fuzz”, de 2003, move-se precisamente nesse território e conta com um conjunto notável de convidados onde figuram, entre outros, Jack White, Ghostface Killah e Sean Paul.

A atenção de Ronson muda, depois, para os terrenos do soul e do funk e foi precisamente essa sonoridade que procurou incutir às versões de músicas de outros artistas que alinhou para o seu segundo disco, “Version”, de 2007.

É neste momento que o instinto de Ronson, a canção dos The Zutons e excentricidade de Amy Winehouse se juntam para criar a fórmula perfeita que transformaria “Valerie” num hit planetário e duradouro - ainda hoje consegue incendiar as pistas de dança.

Ronson tinha produzido o segundo - e último - disco de Amy (morreu em 2011), “Back to Black” - o álbum arrecadou 5 Grammys - e o recrutamento da britânica para “Version” era inevitável.

Quanto aos Zutons e a Dave McCabe, o autor da canção, acharam estranho, no início, ver uma das suas canções preferidas, e uma das mais reconhecidas do seu repertório, a ser cantada por outra pessoa - e a atingir  níveis de notoriedade nunca antes vistos. Mas rapidamente se resignaram ao facto de não serem reconhecidos como autores do êxito e é fácil perceber porquê: o reconhecimento chegou de outra forma. De acordo com o britânico “Daily Star”, Dave conseguiu comprar uma casa de dimensões generosas em Liverpool apenas com o dinheiro proveniente dos direitos de autor de “Valerie”. O “roubo” de Amy e Ronson transformara-se numa mina de ouro para os Zutons.

Avaliação do Polígrafo:

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