“Alguém explica como farão os estudantes russos, na Universidade do Porto, que não conseguem pagar renda nem ter dinheiro para comer por causa das sanções e foram impedidos de fazer exames pela UP?”, escreve a ex-deputada da Assembleia Municipal de Lisboa pelo PCP, Lúcia Gomes, no Twitter. Questionada por outros utilizadores sobre qual a fonte deste tweet, a autora da publicação garante que a informação foi-lhe dada por “funcionários da Universidade do Porto”.

Nos comentários há quem lamente a alegada situação, mas há também quem acuse Lúcia Gomes de espalhar desinformação. De que lado está a verdade?

Contactado pelo Polígrafo, o departamento de comunicação da Universidade do Porto (UP) garante que a alegação é falsa. Segundo esta fonte oficial, tal impedimento não seria possível, desde logo, porque esta instituição de ensino já não se encontra em fase de exames, tal como é possível verificar no calendário escolar para o ano letivo de 2021/2022. Além disso, acrescenta, “seria ilegal e inconstitucional haver qualquer tipo de discriminação com base na nacionalidade”.

De acordo com a Universidade do Porto, mesmo que os estudantes russos tivessem dificuldades em pagar propinas isso não os impediria de realizar exames, dado que “as contas se fazem no final do ano, com qualquer estudante, de qualquer nacionalidade”. A mesma fonte oficial explica que “quem tiver propinas em atraso no final do ano, só vê as notas publicadas após saldada a dívida”. No entanto, “pode fazer exames e participar em aulas”.

No mesmo plano, a presidente da Federação Académica do Porto, Ana Gabriela Cabilhas, assegura ao Polígrafo que esta entidade não foi notificada de casos de estudantes russos impedidos de realizar exames. “Temos estado atentos às questões dos estudantes russos e ucranianos e não recebemos nenhuma queixa nesse sentido”, assevera.

Contactada pelo Polígrafo, a autora da publicação esclarece que enviou um e-mail à reitoria da Universidade do Porto a questionar sobre a veracidade da informação que a própria divulgou

No entanto, Lúcia Gomes não apagou a publicação original que conta com mais de mil reações e cem retweets e escreveu um tweet, pouco depois de ser contactada pelo Polígrafo, a informar os seus seguidores deste contacto com a reitoria.

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