Diariamente fazemos escolhas alimentares consoante os nossos gostos e objetivos. Uma das informações que estamos habituados a ver nos rótulos de algumas embalagens é a indicação de que o produto é "light" ou "magro", mas será que isso é sinónimo de que os produtos são mais saudáveis ou menos calóricos o suficiente possibilitando a perda de peso por si só?

Vamos por partes: o que é afinal um alimento "light"? Segundo as normas da União Europeia, o termo "light" define produtos em que exista a redução de nutriente de "pelo menos 30% comparado com o produto semelhante", à exceção de "micronutrientes, onde a diferença de 10% para o valor referência definido pela Diretiva 90/496/EEC é aceitável, e para o sódio, ou equivalentes valores de sal, onde a diferença de 25% é aceitável".

Ao Polígrafo, a nutricionista Catarina Paixão explica que um alimento "light" é aquele que possui "um teor reduzido de determinado nutriente", como, "por exemplo, de gordura" quando comparado com outros alimentos da mesma categoria.

Muitas vezes, estes alimentos são confundidos com os alimentos "diet", mas a diferença encontra-se no facto de o alimento "light" ter uma redução de, pelo menos, 30% de determinado nutriente, enquanto o "alimento diet restringe completamente um ou mais nutrientes", explica a nutricionista.

Catarina Paixão esclarece que dentro da categoria dos alimentos "diet" existem diferentes tipos: os que dizem "sem gordura" e têm "menos de 0,5 g de gordura por 100g ou 100 ml"; os sem gordura saturada que "têm menos de 0,1g por 100g ou 100 ml" e sem açúcares com "menos de 0,5 g por 100 g ou 100 ml".

São então estes alimentos light mais saudáveis do que os alimentos ditos normais? "Não necessariamente", indica a nutricionista. Ou seja, para pessoas que têm alguma patologia de base, como, por exemplo, diabéticos ou hipertensos, estes alimentos "podem ser mais adequados", mas há que estar atento à "restante lista de ingredientes porque, muitas vezes, quando é retirado/reduzido algum nutriente, é adicionado outro".

"Por exemplo, num iogurte sem gordura, muitas vezes são adicionados mais açúcares do que num iogurte habitual, para manter o sabor e textura", aponta Catarina Paixão.

A contribuição destes alimentos na perda de peso também não é regra, uma vez que a "perda de peso implica défice calórico", ou seja, "o indivíduo que pretende emagrecer deverá comer menos calorias do que as calorias que gasta, por exemplo, na prática de atividade física".

Assim, "os alimentos light/diet poderão ser uma opção uma vez que, muitas das vezes, têm menos calorias do que outros produtos idênticos", no entanto, adverte a nutricionista, "isto nem sempre é verdade e devemos sempre ler o rótulo, nomeadamente a tabela nutricional e a lista de ingredientes".

Apesar dos seus benefícios, estes alimentos devem ser consumidos com algum cuidado. Os produtos light, assim como qualquer outro alimento, "têm de ser inseridos numa alimentação variada, equilibrada e em quantidade suficiente e não excessiva para cada determinado indivíduo".

Ao Polígrafo, a nutricionista lembra que apesar de, à partida, estes alimentos tenham menor valor calórico, "continuam a apresentar alguma quantidade calórica, exigindo limitações no seu consumo" e restringir a alimentação a produtos exclusivamente "light" poderá "prejudicar a nossa saúde, uma vez que precisamos deste nutriente para o bom funcionamento do nosso organismo".

É então possível uma dieta saudável ou a perda de peso sem recorrer a estes alimentos? Sim, a perda de peso e uma dieta saudável não implica necessariamente que se recorra a este tipo de alimentos, ainda que possam ser um complemento para atingir esse objetivo.

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Geração V

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto "Geração V - em nome da Verdade", uma rede nacional de jovens fact-checkers. O projeto foi concretizado em parceria com a Fundação Porticus, que o financia. Os dados, informações ou pontos de vista expressos neste âmbito, são da responsabilidade dos autores, pessoas entrevistadas, editores e do próprio Polígrafo enquanto coordenador do projeto.

*Texto editado por Marta Ferreira.

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