Várias publicações de Twitter e Facebook colocam questões sobre a rapidez com que se passou a identificar o vírus da varíola dos macacos através dos testes PCR. Numa dessas publicações pode ler-se: “Os chineses são tão rápidos que já é possível identificar o vírus Monkeypox [varíola dos macacos] através de testes PCR, os mesmos usados para a Covid-19”.

Os resultados dos testes são também colocados em causa, alegando que 97% dos resultados são “falsos positivos”, mas essa questão já foi verificada pelo Polígrafo.

A utilização deste tipo de testes durante a pandemia de Covid-19 tornou os PCR conhecidos. Mas este procedimento não foi criado de propósito para identificar esta doença nem foram produzidos testes posteriormente para identificar casos de varíola dos macacos. O processo já existia há várias décadas.

Os testes de PCR – Plymerase Chain Reaction, em inglês – permitem identificar não só vírus, como também bactérias e até alterações oncológicas. Esta técnica foi inventada, em 1985, por Kary Mullis e tem vindo a ser utilizada em laboratórios de referência de todo o mundo.

“Para a Covid-19 usamos três sondas de DNA que reconhecem especificamente o vírus SARS-CoV-2 e não se deixam enganar por mais nada. Se eu tirar aquelas sondas e as substituir por sondas que reconheçam apenas a molécula do Monkeypox [varíola dos macacos] – que é um vírus de DNA e não de RNA – elas passam a reconhecer especificamente esse vírus”, explica ao Polígrafo Germano de Sousa, antigo bastonário da Ordem dos Médicos e fundador do Centro de Medicina Laboral Germano de Sousa.

As sondas a que Germano de Sousa se refere são os elementos que permitem a identificação do DNA ou RNA dos vírus ou bactérias que se pretende identificar com este teste, produzidas com base a sequenciação do vírus. “Caso a molécula exista no conjunto da solução, as sondas fixam a elas, são amplificadas e depois, como têm um marcador florescente, conseguimos ver, em aparelhos apropriados, a reação e quantifica a reação”, prossegue.

“Para a Covid-19 usamos três sondas de DNA que reconhecem especificamente o vírus SARS-CoV-2 e não se deixam enganar por mais nada. Se eu tirar aquelas sondas e as substituir por sondas que reconheçam apenas a molécula do Monkeypox [varíola dos macacos] – que é um vírus de DNA e não de RNA – elas passam a reconhecer especificamente esse vírus”, explica ao Polígrafo Germano de Sousa.

Não há novidade absolutamente nenhuma que mereça sequer uma referência. É uma técnica de Plymerase Chain Reaction, é sempre o mesmo método base, apenas são mudadas as respetivas sondas que identificam o vírus em questão”, reforça Germano de Sousa.

Em Portugal, os testes de PCR ao vírus da varíola dos macacos são realizados pelo Instituto Ricardo Jorge. A Direção-Geral da Saúde aconselha que, em caso de sintomas ou sinais compatíveis com a doença, “entre em contato com centros de rastreio de infeções sexualmente transmissíveis, recorra a serviços de urgência para aconselhamento e avaliação ou ligue para a Linha SNS 24”. Deve também evitar o contacto próximo com os outros e lavar as mãos regularmente.

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