“O aquecimento global é uma fraude. À medida que os anos vão passando e os dados vão-se acumulando, torna-se cada vez mais evidente que o aquecimento global é uma fraude.” Esta é a principal mensagem de vários posts do Facebook partilhados durante o mês de junho, mas que circulam nas redes sociais desde 2011.

Segundo a publicação que tem origem num site de partilha de desinformação, não houve nenhum “efeito único e negativo, de qualquer tipo, que possa ser inequivocamente atribuído ao aquecimento global”.

No entanto, a alegação de que o aquecimento global é uma farsa não tem qualquer fundamento, já que a existência deste fenómeno é defendida pela comunidade científica. Vários estudos sobre esta matéria concluíram que há um consenso científico quanto ao facto de o clima estar a mudar, como é o caso de dois estudos amplamente difundidos pelos órgãos de comunicação social e publicados na revista científica "Environmental Research Letters" (em 2013 e em 2021).

Esta posição é também defendida por organismos credíveis como o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, que, num relatório publicado em 2021, explica ser “inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, o oceano e a terra”, tal como o Polígrafo já verificou anteriormente.

Ainda assim, apesar de o aquecimento global ser um fenómeno cuja existência tem sustentação científica, há quem negue as alterações climáticas. Esta descrença levou a agência espacial norte-americana NASA a criar uma secção no seu site inteiramente dedicada a explicar o consenso que existe sobre esta matéria.

  • "Aquecimento global: Só 5% depende das ações humanas", garante-se nas redes sociais

    "O aquecimento global depende do motor meteorológico dominado pela potência do Sol. As atividades humanas afetam o máximo de 5%." É esta a alegação difundida nas redes sociais e atribuída a um físico italiano. A citação é autêntica, mas a teoria que veicula não tem fundamento, na medida em que há consenso científico sobre o impacto significativo da ação humana no fenómeno do aquecimento global.

No mesmo plano, o professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, João Joanaz de Melo, garante ao Polígrafo que “há um consenso científico completo sobre o facto de o clima estar a mudar”. O engenheiro do Ambiente sublinha, contudo, que existem discussões “sobre em que medida é que essas alterações climáticas são provocadas pela atividade humana”, mas que a opinião dominante na comunidade científica é a de que “o principal fator que influencia o sentido das alterações climáticas e a velocidade a que elas estão a ocorrer é a atividade humana”.

Além disso, os dados compilados pela Organização Meteorológica Mundial mostram que “2011-2020 foi a década mais quente já registada”. O secretário-geral das Nações Unidas considera que esta confirmação “é um lembrete do ritmo implacável das alterações climáticas, que estão a destruir vidas e meios de subsistência em todo o planeta”.

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EMIFUND

Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

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