A sucessão de Alberto João Jardim por Miguel Albuquerque na liderança do PSD-Madeira e, por extensão (desde as primeiras legislativas regionais da Madeira em 1976), do Governo Regional da Madeira (GRM), não foi pacífica. Mas depois de ter derrotado Manuel António Correia, o candidato "jardinista", nas eleições internas do partido em dezembro de 2014, Albuquerque superou a maldição dos "delfins" e seguiu-se uma década de poder na Quinta Vigia, Funchal, em que chegou mesmo a contar com a presença e apoio de Jardim nas campanhas eleitorais.

Até à queda abrupta nos últimos dias, em resultado de uma operação da Polícia Judiciária movida por suspeitas de corrupção com epicentros no Governo Regional da Madeira e na Câmara Municipal do Funchal e ligações diretas a empresas que operam na região. Mas logo no dia em que rebentou o escândalo, 24 de janeiro, talvez ainda em estado de negação, Albuquerque começou por garantir que não se demitia  da Presidência do GRM. "A situação de inquérito não diminui os direitos de ninguém", afirmou aos jornalistas.

E no dia seguinte foi a vez de Jardim reagir, à porta de sua casa, no Funchal. Questionado por uma jornalista da SIC sobre se Albuquerque deveria ou não continuar em funções, respondeu prontamente:

"No meu entendimento, deve, sim senhor. Ninguém pode estar à mercê do que passa pela cabeça (...). Está eleito, ninguém provou nada contra ele, que eu saiba, até agora. Suspeitas arranja-se até aqui na loja."

Apenas cinco depois, porém, Jardim aponta no sentido diametralmente oposto. Em declarações à RTP Madeira, o antigo líder do PSD-Madeira e do GRM defendeu a realização de eleições antecipadas no arquipélago, sublinhando que "o PSD não pode dar qualquer imagem de ter receio do voto popular".

Uma posição que aparentemente contraria os esforços em curso do PSD-Madeira, em negociações com o CDS-PP e o PAN, para consumar imediatamente a demissão entretanto pré-anunciada de Albuquerque e assim formar um novo Executivo, com um novo Presidente, antes de o Presidente da República voltar a dispor do poder de dissolução da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, daqui a cerca de dois meses.

"Se eu defendi que tinha de haver eleições no caso de António Costa, defendo eleições agora", justificou Jardim, somente cinco dias depois de ter dito que Albuquerque deveria manter-se em funções.

E em forma de ajuste de contas que remontam a 2014, observou também que "estamos num fim de ciclo. Neste momento, termina o ciclo político daquele grupo chamado 'Renovação'".

Ainda assim, no que respeita às suspeitas de corrupção, importa notar que Jardim fez questão de ressalvar que "a amizade é sagrada" e não acredita "em nada do que se passou, a não ser que sejam esgotadas todas as hipóteses de recurso, inclusivamente para o Tribunal Europeu". Garantiu também que não tem receio de ser investigado: "Podem vir à vontade, nunca tive receio nem problemas nenhuns."

______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.