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Vídeo no Threads demonstra que águas dos oceanos Pacífico e Atlântico não se misturam?

Sociedade
O que está em causa?
O vídeo circula nas redes sociais desde há anos, mas entretanto voltou a ser partilhado viralmente no Threads. As imagens supostamente provam que os dois oceanos não se misturam, apesar dos vastos pontos geográficos de confluência. Verificação de factos.

“Porque é que o oceano Pacífico e oceano Atlântico não se misturam?”, lê-se numa mensagem sobreposta a um vídeo que exibe uma aparente divisão de águas, de um lado água azul e translúcida e no outro água num tom acastanhado e denso, e que está a circular viralmente no Threads desde dia 15 de maio.

O vídeo mostra ainda uma pessoa a segurar um tubo com a recolha da água daquele local, tentando que esta se misture, no entanto, depois de agitar o tipo, a água mantêm-se dividida: em baixo a água acastanhada e em cima a transparente.

Seguem-se várias imagens que pretendem comprovar essa suposta divisão entre oceanos que se tocam, mas não se misturam.

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Será que é verdade?

Não. As imagens em causa circulam há vários anos e, ocasionalmente, voltam a surgir nas redes sociais associadas a este mito de que os dois oceanos não se misturam. Esta suposta divisão está localizada no Golfo do Alasca e é muitas vezes descrita como “o lugar onde dois oceanos se encontram”, mas é falso que não se misturem.

O fenómeno em causa é conhecido como “redemoinho” e é explicado num artigo da Fundação Aquae. Kenneth W. Bruland, investigador e professor de ciências da Universidade da Califórnia-Santa Cruz, nos Estados Unidos, desmonta e explica o mito de que o oceano Atlântico e Pacífico não se misturam.

De acordo com o mesmo, os redemoinhos que ocorrem no Alasca têm centenas de quilómetros de diâmetro, formando correntes oceânicas e convecção. São como “motores naturais” que distribuem a água e sedimentos. Tratam-se de águas ricas em nutrientes naturais que ali se juntam a águas da área costeira do Alasca que carregam sedimentos glaciais e que têm argilas que tingem a água e a turvam. É daí que vem a explicação para o azul quase elétrico de um lado e o azul mais escuro do outro.

Esse “encontro” de águas entre o Mar de Bering e o Pacífico Norte causa o fenómeno que vemos, mas, apesar de não ser perceptível pelas imagens, estas águas acabam sim por se misturar.

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Avaliação do Polígrafo:

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