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Fernando Rocha afirma em vídeo que água termal alcalina o curou da Covid-19. Verdadeiro ou falso?

Coronavírus
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Sete testes e dois meses depois, Fernando Rocha deixou de ser portador do novo coronavírus. Para comemorar, o humorista publicou, nas redes sociais, um vídeo onde agradece aos profissionais de saúde, aos admiradores e, curiosamente, a dois homens que lhe trouxeram do Alentejo, água termal alcalina para beber, líquido "responsável pela cura" da doença. Será?

Fernando Rocha foi notícia logo nas primeiras semanas do surto de Covid-19 em Portugal, por ter testado positivo ao novo coronavírus, no dia 27 de março. O humorista acredita que contraiu a doença durante uma viagem em que passou por Paris e pelos Estados Unidos, de onde regressou no dia 14 daquele mês, tal como anunciou num vídeo que publicou nas redes sociais.

Apesar dos sintomas ligeiros, o também apresentador de televisão não fazia ideia de que a luta contra o vírus viria a ser tão longa. Depois de 45 dias em casa, e de seis testes laboratoriais, o resultado continuava a chegar positivo. O caso parecia de tal maneira invulgar que o humorista faz parte de um estudo no Hospital de Santo António no qual os cientistas querem perceber se existe algum tipo de carga de imunidade ao coronavírus.

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No dia 9 de maio, Fernando Rocha realizou mais uma análise, a sétima. Um dia depois, chegou o resultado: o teste deu negativo, o que significa que o humorista está curado, praticamente dois meses depois de ter contraído a doença.

A revelação pública da recuperação foi feito pelo próprio nas suas redes sociais (pode ver aqui o anúncio no Instagram) através de um vídeo.

Fernando Rocha

Depois de elogiar os profissionais de saúde que o acompanharam no Hospital de Santo António, no Porto, o humorista diz: “Quero agradecer ao João Olaia e ao Armando que vieram das termas de Cabeço de Vide, no Alentejo, entregar-me uma água que tem um grau de alcalinidade muito elevado. Durante esta semana eu bebi dessa água, e não sei que efeito é que a água fez em mim, mas o que é certo é que me curou e deu negativo, talvez me ajudasse a limpar os vestígios do vírus que ainda tinha dentro de mim. Obrigado, a vocês, todos.”

Fernando Rocha sugere assim que, mesmo não sabendo muito bem como nem porquê, foi a água termal alcalina que eliminou o SARS-CoV-2 do organismo.

Será possível?

Ricardo Mexia, Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, afirmou ao Polígrafo que “não existe nenhuma evidência de que a água, ou outro qualquer líquido, tenha, para já, um efeito no tratamento da doença. O que sabemos éque a doença resolve-se por si mesma na maioria dos casos e, portanto, pode ser uma questão de tempo. Às vezes, a doença demora mais a resolver-se, outras vezes é mais rápida.” O médico de saúde pública dá a entender, portanto, que o facto de Fernando Rocha ter ficado curado na semana em que bebeu água termal com um nível elevado de alcalinidade foram eventos paralelos, mas que nada têm a ver um com o outro, nem o primeiro é a consequência do segundo.

Ricardo Mexia, Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública afirmou ao Polígrafo que “não existe nenhuma evidência de que a água, ou outro qualquer líquido, tenha, para já, um efeito no tratamento da doença.

Em relação ao facto de o vírus ter demorado tanto tempo a deixar de estar ativo no organismo de Fernando Rocha, facto que tem levantado alguma estranheza, Ricardo Mexia reitera que esta é uma situação perfeitamente normal: “Nós temos vários casos de pessoas que têm, durante uma série de tempo, um diagnóstico positivo. O que nós sabemos é que os testes feitos com zaragatoa com colheita de produto na nasofaringe são testes sensíveis, portanto a questão que se discute neste momento é se, apesar da positividade prolongada, as pessoas têm capacidade de transmitir a doença. Eventualmente, o que poderá acontecer é ser possível identificar o vírus, mas já não ser um vírus viável ou com capacidade infecciosa.”

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

 

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