De acordo com várias publicações nas redes sociais, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, terá anunciado a intenção de “privatizar as urgências” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), ao mesmo tempo que apontou para uma “grande pressão” nas urgências de Lisboa e Vale do Tejo nas próximas semanas.
A citação atribuída à ministra da Saúde está a ser partilhada como se fosse uma notícia do canal Now, através de uma imagem com o logótipo da referida estação de televisão. E o efeito de desinformação é exponenciado pelo facto de misturar uma citação verdadeira com outra falsa.
De facto, no dia 1 de setembro, segundo foi noticiado pelo Now e outros órgãos de comunicação social, Ana Paula Martins proferiu a seguinte declaração: “Eu diria que as próximas semanas vão ser semanas de grande pressão em Lisboa e Vale do Tejo, mas, essencialmente, no Hospital de Amadora-Sintra.”
Na perspetiva da ministra, esta situação repete-se por vários motivos, desde logo “uma pressão assistencial enorme”, na medida em que “é talvez das zonas do país, se não a zona do país com maior pressão assistência”.
“Temos mais de 240 mil pessoas ali só nestes concelhos sem médico de família e isso causa uma pressão assistencial sobre as urgências muito grande”, declarou, reconhecendo igualmente “uma situação também de falta de recursos humanos naquela ULS [Unidade Local de Saúde] especificamente, muita falta de enfermeiros, muita falta de médicos também, concretamente na urgência”.
Contudo, não fez qualquer referência à suposta intenção de “privatizar as urgências”. Nem nas declarações públicas de 1 de setembro, nem anteriormente. Tal como não há qualquer registo de tal projeto na comunicação oficial do Governo liderado por Luís Montenegro, pelo menos até ao momento da publicação deste artigo.
Pelo contrário, a título de exemplo, o Governo anunciou em abril que iria disponibilizar 50 milhões de euros até 2027 para requalificar urgências de unidades do SNS, algumas das quais não efetuam obras há mais de 30 anos. Este programa será “dirigido às áreas onde a pressão é maior e a resposta é mais urgente”, disse então a ministra da Saúde na Assembleia da República.
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