Através de comunicado emitido no dia 17 de novembro, a agência de notação financeira Moody's anunciou que subiu o rating de Portugal de "Baa2+" para "A3". Confirmada esta subida, "Portugal regista pela agência Moody's uma avaliação de risco que é melhor do que a que foi atribuída a Espanha. Nunca Portugal teve uma notação superior à espanhola por qualquer agência", informou a SIC Notícias.

Na última avaliação, em maio, a Moody's tinha mantido o rating de Portugal em "Baa2", mas subiu a perspetiva de estável para positiva. No relatório da ação de rating divulgado na sexta-feira, a Moody's refere que a subida de dois níveis na notação atribuída à dívida soberana portuguesa reflete os sustentados efeitos positivos, no médio prazo, "de uma série de reformas económicas e orçamentais, o desendividamento do setor privado" e o continuado "fortalecimento" do setor bancário.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, enalteceu logo no mesmo dia que "demonstra que os fundamentais da economia são robustos e confirma que Portugal conquistou um lugar entre o grupo de países com maior qualidade creditícia e maior credibilidade internacional".

"Em comunicado, o ministro assinala que com a avaliação de hoje pela Moody's Portugal fica com uma notação de risco em patamares de 'A' por três agências de rating, 'o que abre a porta de um conjunto muito alargado de investidores à dívida pública portuguesa'", noticiou a Agência Lusa.

Mas nas redes sociais há quem recorde que em 2015, antes de ser primeiro-ministro, António Costa terá dito que essas agências "são lixo".

De facto, em julho de 2015, a cerca de três meses das eleições legislativas que viriam a resultar na sua ascensão ao cargo de primeiro-ministro, Costa participou numa iniciativa do "Jornal de Negócios". Nesse âmbito foi questionado sobre o que pensa das agências de notação financeira, num contexto em que as três principais agências classificavam Portugal ao nível de "lixo" desde 2011, a par do início do resgate financeiro pela Troika (e sublinhe-se aqui que Portugal só voltou a subir acima desse nível já em 2018).

"A minha classificação sobre as agências de rating é que são lixo", afirmou então Costa, na versão de secretário-geral do PS e candidato a primeiro-ministro.

"E foi por isso, aliás, que rescindi o contrato com todas quando era Presidente da Câmara de Lisboa", acrescentou. "É uma gente que já demonstrou não ser minimamente credível, fiável, que contribuíram muito gravemente para o endividamento generalizado dos Estados, das famílias, das empresas... E não deram nenhum contributo sério, até agora, para uma gestão mais regulada do mercado de capitais".

"Portanto, a minha visão sobre essas instituições é péssima. E acho mesmo que uma das medidas que ainda é necessário tomar na sequência desta crise é pôr ordem nessa coisa dos ratings", concluiu.

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