"Aeroporto de Lisboa (da Vinci) considerado atualmente o 4.º pior do mundo (191.º) no ranking da AirHelp", realça-se num post de 4 de dezembro no Facebook, enviado ao Polígrafo para verificação de factos. Esta alegação tem fundamento?

O ranking em causa - denominado como "Global Airport Ranking" - é da responsabilidade da AirHelp, uma empresa alemã que se descreve como "o maior defensor mundial dos direitos dos passageiros aéreos" e que elabora esta análise com uma periodicidade anual. A empresa dedica-se sobretudo a prestar serviços no apoio jurídico a passageiros junto das companhias aéreas.

Tem como critérios de pontuação o "desempenho pontual" dos voos no aeroporto, a "opinião do cliente" e "comida e lojas".

Na edição de 2023 deste ranking da AirHelp, de facto, o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, queda-se na 191.ª posição, com 6,48 pontos, superando apenas os aeroportos de Gatwick (Londres, Reino Unido), Internacional de Malta (Luqa, Malta) e Banjarmasin Syamsudin Noor (Banjarmasin, Indonésia).

Por seu lado, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, está mais ou menos a meio da tabela, na 91.ª posição, com 7,52 pontos. Importa aqui referir que piorou substancialmente em comparação com 2022, quando figurava na 51.ª posição.

A avaliação negativa do Aeroporto de Lisboa não é uma novidade: no ranking de 2022 estava na 143.ª posição entre 151 aeroportos.

Em 2023, os melhores aeroportos do mundo - de acordo com o ranking da AirHelp - são os de Mascate (Omã), Recife (Brasil) e Cidade do Cabo (África do Sul).

Esta avaliação costuma gerar controvérsia em Portugal, devido à má classificação do Aeroporto de Lisboa.

Por exemplo, em julho de 2022, o ranking de 2021 foi contestado pelo presidente executivo da ANA - Aeroportos de Portugal, Thierry Ligonnière, e pelo então ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, no âmbito de uma audição no Parlamento.

Ligonnière desvalorizou o estudo e colocou em causa as fontes do mesmo. "Não é uma avaliação objetiva do desempenho de uma infraestrutura aeroportuária feita por uma entidade independente de referência no setor, mas sim uma montagem coxa realizada por uma empresa comercial que se alimenta de indemnizações reclamadas às companhias aéreas por voos atrasados ou cancelados", alegou.

Mais, o presidente da ANA disse que o estudo baseia-se em "fontes obscuras, sem indicação da amostragem ou descrição da metodologia".

Já em março de 2023, o Polígrafo questionou a AirHelp sobre metodologia utilizada. Em resposta, a empresa indicou que "combinamos várias fontes de dados para calcular o "AirHelp Score", visando fornecer aos passageiros uma visão geral do desempenho de uma companhia aérea ou aeroporto".

A empresa alemã salientou que "desenvolveu uma base de dados de voo que acreditamos estar entre as mais confiáveis ​​e precisos do mundo" e assegura que, através dessa base de dados, "podemos encontrar estatísticas de horários de partida e chegada do voo para cada aeroporto".

Os dados analisados são referentes ao "período de 1 de janeiro a 31 de outubro de 2022". Foram recolhidas "mais de 9.500 classificações" de passageiros de "mais de 30 países", avaliando "os funcionários do aeroporto, tempos de espera, acessibilidade e limpeza". A classificação para cada factor é atribuída "numa escala de 'muito bom' a 'muito mau'".

"Demos a cada classificação um valor numérico de um a cinco e adicionámos essas classificações juntas para chegar a uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor o aeroporto fez em todos esses fatores de serviço", justificou a empresa. A mesma metodologia foi utilizada para questionar os passageiros acerca da alimentação e lojas do aeroporto.

  • Presidente da Comissão de Acompanhamento do novo aeroporto de Lisboa defendeu solução de Alcochete numa palestra em 2021?

    Mais precisamente Carlos Mineiro Aires, presidente da Comissão de Acompanhamento dos Trabalhos da Comissão Técnica Independente que tem a missão de "avaliar as opções estratégicas para aumentar a capacidade aeroportuária da região de Lisboa". No X/Twitter estão a ser difundidos excertos do vídeo de uma reunião em 2021 (um ano antes de ser nomeado para a Comissão de Acompanhamento), na qual Aires disse que a "única solução que resta é avançar com o Novo Aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, o que será uma excelente decisão".

Quanto às fontes de informação, a AirHelp diz que utilizou "várias fontes" de modo a garantir uma "análise sólida". Essas fontes são as bases de dados próprias, comentários de clientes e cruzamento de dados de vários fornecedores comerciais.

"A AirHelp recolhe dados de vários fornecedores comerciais, porque as fontes dos corretores comerciais variam e não são infalíveis. Devido ao nosso consumo de tantas fontes de dados, podemos combinar várias fontes para compensar as lacunas de cobertura nos dados de alguns fornecedores", explicou.

Em resposta às críticas de que foi alvo no ano passado, a AirHelp esclareceu: "Não estamos a fazer isto [os rankings] para prejudicar companhias aéreas ou aeroportos; pelo contrário, também é uma grande oportunidade para companhias aéreas e aeroportos obterem uma referência externa e uma avaliação do seu desempenho, ajudando-os a entender e identificar áreas onde há espaço para melhoria. O principal problema em julho de 2022 foi que alguns meios de comunicação indicaram que nosso ranking anterior [de 2019] era o atual, o que não era verdade".

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Avaliação do Polígrafo:

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