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Administração Biden nos EUA está a oferecer “cartões-oferta de 5.000 dólares” a cada imigrante ilegal?

Sociedade
O que está em causa?
A alegação está a ser partilhada na rede social Facebook, apelando a todos os elegíveis para este subsídio para se candidatarem “antes que seja tarde demais”. Tratar-se-ia de um montante distribuído via cartão de débito, cujo montante de 5.000 dólares seria renovado mensalmente, e aparentemente destinado a imigrantes ilegais - embora a publicação dê a entender que qualquer pessoa poderia beneficiar do mesmo. Verdade ou mentira?

“A fronteira sul do Texas ainda está a deixar entrar migrantes [no país] e, adivinhem, o governo [dos EUA] está a distribuir 5.000 dólares a cada um e, malta, cada um de nós pode conseguir esse dinheiro também”, começa por referir uma publicação partilhada recentemente, em inglês, na rede social Facebook.

A mesma informa sobre “tudo o que é preciso fazer” para que se tenha acesso a este “novo subsídio”, cujas candidaturas apenas estavam abertas “até ao final da semana” em que o post foi publicado. Em causa um cartão que seria “recarregado todos os meses”, o que corresponderia a “12 reforços adicionais de dinheiro por ano”. E acrescentou a publicação: “É como ter um cartão de débito com um montante ilimitado de dinheiro.”

Primeiro que tudo, os interessados deveriam visitar “o site oficial dos EUA”, onde depois teriam de responder “a apenas duas perguntas simples” e falar “com um representante durante cerca de três minutos”. Depois disso, um “cartão de débito no valor de 5.400 dólares” seria “enviado diretamente” para a caixa de correio indicada “em menos de um dia”.

Ao que tudo indica, os serviços governamentais apenas exigem que seja fornecido “um nome e uma morada para onde enviar o cartão, dando a entender que até os norte-americanos poderiam candidatar-se: “Não deixes de aproveitar esta oportunidade de ouro. Vamos assegurar que os nossos dólares americanos pagos em impostos regressem aos bolsos americanos. A data limite é o final da semana.”

Mas será que esta se trata de uma narrativa fundamentada?

Não. A mesma tem vindo a ser desmentida por vários projetos de fact-checking internacionais, como o “Lead Stories” e a Associated Press. Até porque, em dezembro do ano passado, um candidato ao Senado norte-americano pelo Arizona, o republicano Mark Lamb, tinha feito uma afirmação semelhante, num vídeo partilhado no X/Twitter.

“Enquanto nesta época natalícia vocês lutam para manter as luzes acesas, enquanto lutam para pagar a renda, para pôr presentes de Natal debaixo da árvore para os vossos filhos, temos o nosso governo a dar às pessoas que entraram ilegalmente neste país cartões-oferta de 5.000 dólares. Esta é a verdade, amigos”, apontou, por essa via.

Porém, à Associated Press, tanto a Fiscalização de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, como o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos), agências governamentais com competência na matéria, garantiram não distribuir tais cartões-oferta no valor de 5.000 dólares a quem entre ilegalmente no país.

À mesma agência noticiosa, Rebekah Wolf, conselheira sénior de política do Conselho Americano de Imigração, tinha também confirmado anteriormente que, excetuando alguns indivíduos de nacionalidade cubana ou haitiana – que, neste caso, tivessem casos de extradição dos Estados Unidos em processo de análise ou pedidos de asilo pendentes –, os indivíduos que entrem ilegalmente em território norte-americano “não recebem qualquer assistência financeira e não são elegíveis para tal”.

Ao “Lead Stories”, Michelle Mittelstadt, diretora de comunicação do think thank norte-americano Migration Policy Institute, também negou a alegação: “O governo dos Estados Unidos não está a dar 5.000 dólares a imigrantes que chegam à fronteira entre os Estados Unidos e o México sem autorização prévia de entrada, a outros imigrantes não autorizados ou a cidadãos americanos.”

A mesma fonte disse, ainda, que o think thank não tem “conhecimento de nenhum programa de imigração do governo federal (ou programa de não-imigração) que forneça pagamentos de 5.000 dólares a qualquer pessoa”.

Perante estes dados, basta concluir que a narrativa não tem qualquer tipo de sustentação factual.

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Avaliação do Polígrafo:

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