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Aborto. Luís Montenegro: Considerações de Paulo Núncio foram feitas a título “pessoal”

Política
O que está em causa?
Em publicação no X/Twitter acusa-se o presidente do PSD, Luís Montenegro, de “mentir com todos os dentes”, ao ter dito que as considerações feitas por Paulo Núncio (vice-presidente do CDS-PP) sobre a lei do aborto foram simplesmente uma “opinião” de natureza “pessoal”, não vinculando a Aliança Democrática. O Polígrafo confere.

As polémicas declarações de Paulo Núncio, vice-presidente do CDS-PP e candidato a deputado pela coligação Aliança Democrática (AD), acerca da possibilidade de realização de um novo referendo sobre a lei do aborto, mereceram resposta imediata de Luís Montenegro. No dia 28 de fevereiro, o líder do PSD garantiu que se tratou exclusivamente de uma “opinião” de natureza “pessoal” que, aliás, não tinha “nada a ver” com o que defende a coligação que junta PSD, CDS-PP e PPM.

A posição de Montenegro, citada em vários órgãos de comunicação social, está a ser difundida numa publicação no X/Twitter em que é acusado de “mentir com todos os dentes” quando afirmou o seguinte: “Foi a expressão individual e apenas e só a comprometer e a vincular o doutor Paulo Núncio.”   

Confirma-se que Núncio proferiu tais declarações única e exclusivamente a título pessoal, como assegura Montenegro?

Primeiro que tudo, importa notar que em causa estão declarações proferidas por Paulo Núncio, a 27 de fevereiro, num evento promovido pela “Federação Portuguesa pela Vida”, precisamente sobre o direito ao aborto, que contou com transmissão no YouTube. Durante o mesmo, promovia-se a apresentação do “Manifesto VIDA 24” – que pretende estimular a reflexão sobre temas como o aborto e a eutanásia pelos partidos políticos.

Na apresentação do evento, que contou ainda com a presença de Pedro Frazão, vice-presidente do Chega, o moderador começou logo por referir: “Por um lado, é simbólico e agradecemos muito a presença do Paulo [Núncio] e do Pedro [Frazão] aqui hoje. Duas pessoas que nos têm acompanhado em diversas circunstâncias. Porém, temos só que referir que vêm em representação dos seus partidos e, portanto, as perguntas não serão pessoais, sobre as posições pessoais de cada um, que são conhecidas e apreciadas por nós, mas também, sobretudo, viradas para a posição dos seus partidos, ou, neste caso, da coligação da Aliança Democrática (…), e as posições do Chega sobre os temas do nosso Manifesto.”

Ideia que foi ainda salientada pelo próprio Núncio,  numa das suas intervenções iniciais: “Queria, de uma forma clara, dizer que a minha presença aqui, em representação da Aliança Democrática, é, só por si, um sinal de que a Aliança Democrática é uma força política que defende políticas pró-vida e defende políticas pró-família.”

Em suma, tais declarações refutam a tese de Montenegro, quando garantiu que “foi a expressão individual e apenas e só a comprometer e a vincular o doutor Paulo Núncio”. Afinal, o próprio Núncio sublinhou que estava no evento “em representação da Aliança Democrática”, depois de o moderador ter realçado que “as perguntas não serão pessoais”.

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Avaliação do Polígrafo:

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