"A SPA não se pronuncia sobre a greve dos motoristas que transportam matérias perigosas, porque existe a Lei da Greve, que define os deveres e os direitos de quem a faz, e também o enquadramento constitucional que o 25 de abril tornou possível e consolidou", começa por ressalvar o suposto comunicado da SPA que está a propagar-se nas redes sociais.

Apesar da ressalva inicial, o comunicado pronuncia-se, de facto, sobre a greve dos motoristas de matérias portuguesas. Aliás, é esse o único tema do texto do comunicado, cujo segundo parágrafo passamos a transcrever: "No entanto, recordando os profundos transtornos causados pela greve de abril passado, a cooperativa dos autores portugueses não pode deixar de manifestar a sua preocupação com os prejuízos causados por este processo reivindicativo à economia, ao normal funcionamento das instituições e ao país, o que ajuda a perceber a sua impopularidade que se acentuou nos últimos dias, também por se ter sabido que o mais notório e omnipresente dirigente sindical (sindicalista-motorista ou motorista-advogado?) quer candidatar-se ao Parlamento nas eleições de outubro, aproveitando por certo o impulso desta invulgar e excessiva notoriedade mediática que a época do ano favorece".

Vários leitores do Polígrafo questionam sobre a autenticidade deste comunicado. É verdade que a SPA emitiu um comunicado em que critica a greve dos motoristas? Verificação de factos.

Confirma-se a autenticidade do comunicado, publicado na página oficial da SPA na rede social Facebook, no dia 12 de agosto de 2019. Aliás, o texto do comunicado é mais longo e a versão integral está publicada na página institucional da SPA na Internet (pode consultar aqui), na secção de "Notícias".

"A SPA, com cerca de 26 mil associados, com 160 trabalhadores e com delegações espalhadas desde Braga às Regiões Autónomas, tem de assegurar a mobilidade das suas estruturas e funcionários, designadamente num período em que a proliferação de festivais de Verão tanto de si exige, para bem da cultura e da vida dos artistas e autores. Nesse sentido, apesar das dificuldades conhecidas, a SPA garantiu o abastecimento possível da sua frota automóvel e a capacidade de intervenção regular e competente  dos seus serviços", lê-se na versão integral.

"Nos últimos dias tornou-se evidente o modo como este processo reivindicativo afectou a normalidade do seu funcionamento, apesar de nenhuma função essencial ter sido posta em causa. A SPA conhece bem os seus deveres e direitos e a forma justa de atuar em nome dos autores e da cultura, conforme amplamente tem demonstrado ao longo dos anos. Não sendo admissível a intemporalidade desta forma de luta, a SPA considera que o Governo tomou, em defesa dos interesses coletivos, uma posição firme e ponderada, tendo ainda a requisição civil como medida legal de reserva, caso as regras essenciais não sejam cumpridas", prossegue.

"A cooperativa dos autores portugueses, também em nome da estabilidade da nossa vida cultural, faz votos no sentido de que possa ser encontrada uma solução para este confronto entre trabalhadores e o patronato sem prejuízos ainda mais notórios para a comunidade de que fazemos parte com toda a sua diversidade e complexidade, ainda por cima em ano de eleições legislativas. Ficam também feitos votos no sentido que o oportunismo pessoal e político não leve dirigentes sindicais a radicalizarem posições já extremadas em nome dos seus interesses políticos que nos levam, legitimamente a interrogar-nos sobre o que está por trás desta radical acção sindical e daqueles que, de forma radical, dela podem tirar partido muito para além das questões salariais, para obterem um problemático ganho político", conclui.

Ou seja, o comunicado da SPA chega ao ponto de manifestar apoio à "posição firme e ponderada" do Governo, apontando mesmo para "a requisição civil como medida legal de reserva", medida que o Governo viria, de facto, a implementar no mesmo dia 12 de agosto.

Por outro lado, a SPA difunde também uma falsidade: chegou a ser noticiado que o advogado Pedro Pardal Henriques, vice-presidente e porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), seria candidato a deputado pelo Partido Democrático Republicano (PDR) nas próximas eleições legislativas; mas essa notícia entretanto foi desmentida pelo presidente do SNMMP, Francisco São Bento, o qual garantiu que Pardal Henriques terá recusado o convite do PDR para ser candidato nas eleições legislativas agendadas para outubro.

Avaliação do Polígrafo:

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