Em janeiro de 2019 começaram a surgir notícias semelhantes em vários meios de comunicação que anunciavam que a Philip Morris – a fabricante do “blockbuster” tabágico Marlboro – iria deixar de produzir de cigarros convencionais. A newsmagazine norte-americana Newsweek escreveu que o “gigante por trás da Marlboro e outras marcas líderes espera deixar de produzir cigarros e apostar somente em produtos livres de fumo. A empresa multimilionária anunciou que escolheu fazer ‘algo grandioso’, ao enfatizar os substitutos eletrónicos dos cigarros, em vez de produzir as versões convencionais”.

Na mesma data, a rádio G105revelou algo semelhante, acrescentando que a Philip Morris apostará em “aparelhos como os IQOS, que aquecem o tabaco em vez de o queimarem, alegando que o produto poderá reduzir o número de químicos nocivos em cerca de 95%, embora ainda estejam a ser realizadas pesquisas”.

No português Jornal de Notícias, a 11 de janeiro de 2019, sublinhava-se, tal como noutras publicações, as declarações do CEO da Phillip Morris, Andre Calantzopoulos, à Sky News: "Se pararmos de vender cigarros, outras pessoas vão continuar a vender porque há sempre alguém que os vai comprar. Por isso, não acho que esta medida venha a ter qualquer tipo de impacto na saúde das pessoas. O nosso grande objetivo é substituir os cigarros o mais rapidamente possível, oferecendo melhores alternativas para os fumadores.”

marbolor

O que têm em comum todas estas notícias? O facto de partilharem esta ambição da empresa como algo de novo, anunciado no início de 2019, quando, na verdade, a informação já tem “cabelos brancos”. O “Snopes”, site norte-americano de fact-checking, verificou o caso e  constatou que, de facto, no início de 2019Calantzopoulos deu uma entrevista à Sky News em que reforçou os objetivos da Philip Morris. Terá sido a partir de então que se ressuscitou uma informação antiga, que acabou por contaminar dezenas de jornais um pouco por todo o mundo.

marlboro

Os factos estão à vista: desde fevereiro de 2017 que o site da empresa inclui a seguinte mensagem: “Construímos a empresa de cigarros com mais sucesso, com as marcas mais populares e icónicas do mundo. Agora, tomámos uma decisão dramática. Seremos bem mais que a empresa de cigarros líder. Estamos a construir o futuro da PMI com produtos livres de fumo que são muito melhores opções que fumar cigarros. A nossa visão - de todos na PMI - é que estes produtos, um dia, substituam os cigarros”.

Mais: em maio de 2018, um comunicado da Philip Morris anunciava uma “implacável mudança no negócio, com vista a um futuro livre de fumo”, que passaria pela aposta, por exemplo, de aparelhos como o IQOS, com tabaco aquecido, ou o MESH. No comunicado, acrescentava-se ainda a ambição que agora foi noticiada como sendo nova: “O compromisso e objetivo da PMI é substituir os cigarros por melhores alternativas o mais rápido possível.”

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