"Um grupo de mais de 500 médicos na Alemanha fez uma declaração chocante durante uma conferência de imprensa nacional: 'O pânico Corona é um teatro. Isto é um golpe. Uma fraude. É hora de entender que estamos no meio de um crime global'. Este grande grupo de médicos especialistas publica num jornal médico com 500.000 exemplares todas as semanas, para informar o público sobre a enorme desinformação na mainstream media. Eles também organizam protestos em massa na Europa, como o de 29 de agosto de 2020, onde 12 milhões de pessoas se inscreveram e vários milhões realmente compareceram", destaca-se no texto do artigo.

"Em Espanha, um grupo de 600 médicos chamados 'Médicos pela Verdade' fez uma declaração semelhante durante uma coletiva de imprensa. ‘Covid-19 é uma falsa pandemia criada para fins políticos. Esta é uma ditadura mundial com uma desculpa sanitária. Instamos os médicos, a mídia e as autoridades políticas a interromper esta operação criminosa, espalhando a verdade'. Alemanha e Espanha são apenas dois exemplos. Grandes grupos semelhantes de centenas de especialistas médicos existem em países de todo o mundo", acrescenta-se.

"Nos EUA, um documentário chamado 'Plandemic', que expõe o Covid-19 como uma operação criminosa, é apoiado por mais de 27.000 médicos! Porque é que esses milhares de profissionais médicos em todo o mundo estão a dizer que a pandemia é um crime? A que informação eles têm acesso, que não estamos a obter pelos mainstream media? Em 2015, um método de teste foi patenteado para Covid-19. Em 2015, um 'Sistema e Método de Teste para COVID-19' foi patenteado por Richard Rothschild, com uma organização governamental holandesa. Você apanhou isso? Em 2015 - quatro anos antes mesmo de a doença existir - foi desenvolvido um método de teste para Covid-19", denuncia-se.

pandemia covid-19

Tais alegações têm sustentação factual?

As datas estão na origem de muitas teorias de conspiração que questionam a origem ou mesmo a existência da pandemia de Covid-19. Neste caso denuncia-se que "um 'Sistema e Método de Teste para COVID-19' foi patenteado por Richard Rothschild" em 2015. Mas essa alegação é falsa.

Múltiplas publicações com milhares de partilhas nas redes sociais, em várias línguas, têm associado essa patente aos Rothschild, uma família que esteve confinada num gueto para judeus em Frankfurt, Alemanha, durante a II Guerra Mundial, e acabou por fundar um império financeiro centrado na atividade bancária por toda a Europa.

Em declarações à "AFP Checamos", um porta-voz da Rothschild & Co., cujo controlo permanece nas mãos da família Rothschild, negou qualquer relação entre a empresa e a pessoa que registou a patente, tanto ao nível privado como empresarial.

As teorias de conspiração sobre a patente referem-se, na generalidade, a um registo inscrito na versão holandesa do portal "Espacenet", desenvolvido pelo Instituto Europeu de Patentes. Trata-se do "Sistema e Método de Teste para Covid-19", atribuído a Richard A. Rothschild, com o código "US2020279585".

O pedido de patente em causa foi publicado no dia 3 de setembro de 2020, mas os demais conspiracionistas apontam para a "data de prioridade" - 13 de outubro de 2015. Ora, no portal "Espacenet" esclarece-se que essa "é a data em que se registou o primeiro pedido de patente para uma invenção específica". 

patente

O facto é que a patente foi registada por Rothschild nos EUA, onde os regulamentos são diferentes em relação à Europa. Como se detalha no artigo de verificação de factos da "AFP Checamos", nos EUA permite-se que os inventores façam um pedido de patente CIP, sigla para "Continuation in part" ("Pedido de continuação"), visando acrescentar novos elementos ao registo que fizeram anteriormente.

O pedido original de Rothschild, que funciona como matriz, data de 13 de outubro de 2015. Baseia-se em técnicas de análise de dados biométricos, sem qualquer menção ao novo coronavírus. O SARS-CoV-2 foi adicionado a esta patente apenas em 2020, durante a pandemia, com uma atualização no sentido de que as análises biométricas possam ser utilizadas para a despistagem do vírus.

Quanto à comercialização dos testes, tal como o Polígrafo já verificou em artigo recente, trata-se de um equívoco. Na base da alegação está uma página no site do World Integrated Trade Solution (WITS), um software criado pelo Banco Mundial em colaboração com instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) ou a Divisão de Estatísticas da Organização das Nações Unidas (UNSD). Nessa página indicam-se os valores das transações de "instrumentos e aparelhos para teste de diagnóstico Covid-19" em cada país.

As plataformas de verificação de factos da Associated Press e Maldita.es sinalizaram tal alegação como sendo falsa ou equivocada. A captura de ecrã é autêntica, mas corresponde a uma primeira versão da página que tinha como título "Covid-19 Test kits (300215) imports by country in 2018" ("Importações de kits de testes Covid-19 por país em 2018", tradução livre). Entretanto o WITS alterou o título para "Medical Test kits (300215) imports by country in 2018".

A explicação é simples. O título da primeira versão da página deve-se à modificação da terminologia de produtos que já estavam registados na base de dados. Os dados de 2017 e 2018 incidiam sobre "dispositivos médicos previamente existentes que agora são classificados pela Organização Mundial das Alfândegas como críticos para combater a Covid-19", esclareceu o Banco Mundial.

Em abril, a OMC e a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizaram a classificação de referência do material médico para a Covid-19, de forma a "permitir aos países rastrear a acelerar as transações de ‘produtos críticos’ relacionados com o novo coronavírus", destaca-se no artigo da Maldita.es.

Concluindo, trata-se de um equívoco. O material adquirido em 2017 e 2018 ainda não tinha qualquer referência à Covid-19, uma nova doença que apenas surgiu no final de 2019.

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