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A “grande ‘media'” exibiu estas imagens de 2018 como se fossem de vítimas ucranianas em 2022?

Ucrânia
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Múltiplos jornais e estações de televisão mostraram imagens de um prédio residencial semi-destruído e de uma mulher ferida, perto da cidade ucraniana de Kharkiv, na sequência de um recente bombardeamento por forças militares da Rússia. Entretanto, nas redes sociais alega-se que essas imagens terão sido captadas em 2018, na cidade russa de Magnitogorsk, retratando uma explosão de gás. Quem é que está a mentir?

“Sempre a verdade. Você vai continuar a ver televisão? Eu apoio a verdade. O que a ‘grande media‘ realmente tirou fotografias dos eventos de 2018. Explosão de gás ocorreu em 31 de dezembro de 2018. E, no entanto, as mesmas imagens tomam o seu lugar na atual guerra inexistente. É assim que as fake news funcionam. Acorda”, lê-se num dos posts que difundem esta espécie de teoria de conspiração.

Em forma de ilustração apresentam-se capas de seis jornais britânicos – “Daily Express”, “Daily Mail”, “The Sun”, “Daily Mirror”, “The Guardian” e “The Times” – com as imagens do prédio bombardeado e da mulher ferida, referindo-se à presente invasão da Ucrânia por forças militares da Rússia.

Encontramos múltiplas publicações, em vários idiomas, desde o Facebook até ao Twitter, que apontam no mesmo sentido de imagens de 2018 na Rússia que terão sido agora exibidas pelos media como se fossem de vítimas da guerra em curso na Ucrânia.

Noutro exemplo alega-se também que o “mainstream alemão ‘Bild’ utiliza uma fotografia de uma explosão de gás em Magnitogorsk no ano de 2018 como se fosse uma imagem atual do ataque russo na Ucrânia. O jornalismo de verdade já morreu“.

O artigo do jornal alemão “Bild” foi publicado no dia 25 de fevereiro de 2022 (pode consultar aqui), informando sobre o bombardeamento que ocorreu no dia anterior na região de Kharkiv, com o seguinte título (em tradução livre a partir do original em alemão): “Invasão da Ucrânia. Putin manda disparar sobre civis.”

Analisando as imagens em causa através da aplicação “TinEye“, entre outras ferramentas de pesquisa, não encontramos quaisquer registos anteriores a essa data.

A fotografia da mulher ucraniana ferida em Kharkiv foi captada por Wolfgang Schwan, fotojornalista da agência de notícias turca Anadolu, em cujo arquivo está descrita da seguinte forma: “Uma mulher ferida depois de ataques aéreos terem danificado um complexo de apartamentos nos arredores de Kharkiv, Ucrânia, no dia 24 de fevereiro de 2022.

Chama-se Olena Kurilo, é professora e tem 52 anos de idade. Foi atingida no rosto por estilhaços resultantes da deflagração de um míssil russo na cidade de Chuhuiv, perto de Kharkiv. A fotografia de Kurilo, captada por Schwan, foi reproduzida por jornais e estações de televisão de todo o mundo, logo nos primeiros dias da invasão militar da Ucrânia.

“Em 24 de fevereiro de 2022, um bombardeio russo atingiu um edifício residencial na cidade ucraniana de Chuguiv. A AFP também cobriu o incidente. O jornalista de vídeo Kadir Demir gravou o prédio de vários ângulos depois de ter sido bombardeado durante um ataque. O vídeo mostra as consequências desse bombardeio”, informou entretanto a AFP Checamos.

Quanto à explosão de gás na cidade russa de Magnitogorsk, ocorreu no último dia de 2018. “Quatro pessoas morreram e quase 70 estão desaparecidas depois de uma explosão de gás num conjunto habitacional na Rússia nesta segunda-feira (31 de dezembro), deixando centenas de pessoas desabrigadas em temperaturas muito baixas na véspera do Ano Novo”, noticiou na altura a AFP.

Tal como é visível nas imagens captadas pela AFP, o prédio é diferente, além de não aparecer qualquer pessoa que seja parecida sequer com Kurilo. Esta teoria de conspiração não tem fundamento.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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