O ministro das Finanças, Mário Centeno, participou como convidado no programa de comentário político “Governo Sombra”, transmitido na TVI24, na madrugada de 29 de dezembro. Questionado pelo jornalista João Miguel Tavares sobre se o atual Governo “não exagerou” ao sublinhar a ideia de “viragem de página da austeridade” em relação ao Governo anterior, Centeno afirmou que “a economia não estava a arrancar” em 2015.

“Em 2015, a economia estava com dúvidas, a economia não estava a arrancar. Eu acho que nós não temos a perceção perfeita disso. Por isso é que o conceito do diabo apareceu na primavera de 2016”, disse Centeno. “Porque a economia portuguesa não estava, de facto, a crescer em março de 2016, e não era por causa do Governo que tinha tomado posse há cinco meses”, acrescentou.

No que respeita a 2015, o Instituto Nacional de Estatística (INE) indicou (em fevereiro de 2016) que o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal cresceu 1,5% no conjunto de 2015 e 0,2% no último trimestre desse ano face aos três meses anteriores em cadeia. De acordo com o INE, a economia portuguesa cresceu 1,3% no quarto trimestre de 2015, em termos homólogos, variação de 1,4% no trimestre anterior. Quanto ao primeiro trimestre de 2016, o mesmo INE indicou (em maio de 2016) que o PIB cresceu 0,9% em termos homólogos e 0,2% face ao trimestre anterior.

Mas estes números acabaram por ser revistos, posteriormente. No conjunto de cada ano, segundo o INE, o PIB português cresceu 1,8% em 2015, 1,9% em 2016 e 2,8% em 2017.

Em suma, não é verdade que “a economia portuguesa não estava, de facto, a crescer, em março de 2016”. Também não tem fundamento dizer que “a economia não estava a arrancar” em 2015, na medida em que o PIB cresceu 1,8% no conjunto desse ano, quase ao mesmo nível do crescimento registado em 2016, o primeiro ano completo em funções do atual Governo do PS, com a pasta das Finanças entregue a Centeno.

O ministro começou por dizer que “a economia não estava a arrancar”, o que teria uma componente de interpretação subjetiva e até poderia ter fundamento na comparação direta com 2017 (e não com 2016). Mas o facto é que acabou por dizer que a economia portuguesa “não estava a crescer em março de 2016”, extravasando a ideia inicial até ao ponto da falsidade, sendo desmentido pelos números do INE.

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