"A verdadeira farsa da Covid-19", denuncia-se na mensagem da publicação, a qual assume o objetivo de explicar "a verdade" sobre o novo coronavírus responsável pela pandemia em curso.

Seguem-se 20 perguntas e respostas relacionadas com a doença, entre as quais se destacam alegações como: "A Covid-19 não é uma pandemia, a OMS [Organização Mundial da Saúde] mudou o termo que se referia à pandemia, antes que o bug fosse lançado para poder acabar com a pandemia"; "A Covid-19 pode ser prevenida mantendo o sistema imunológico elevado e existe a ozonoterapia e o dióxido de cloro como protocolo preventivo"; "O vírus foi criado em laboratório"; "Não é preciso ser vacinado se estiver saudável, as vacinas trazem produtos químicos, metais pesados e uma série de 'bichinhos' que só vão afetar mais a sua saúde a médio e longo prazo".

Esta publicação foi denunciada como sendo falsa ou enganadora. As principais alegações têm validade científica?

  •  "Ozonoterapia e dióxido de cloro são tratamentos preventivos"

Em relação ao dióxido de cloro, Nuno Saraiva, professor de virologia na Universidade Lusófona, garante que "não há nenhuma evidência baseada na ciência que diga que [a substância] é benéfica para qualquer tipo de infeção". O dióxido de cloro é um composto químico que pode ser usado "como um desinfetante", à semelhança da lixívia, mas não como um fármaco. Para ser um medicamento, "o composto tem que matar ou eliminar o patogénico – seja o vírus, bactéria, parasita da malária, ou outros –, mas tem também que não matar o hospedeiro".

"Este composto não é específico para o vírus, atacará qualquer proteína", prossegue o especialista, referindo-se em especial às proteínas "das membranas que estão à volta das células". Ao atacar essas proteínas, o dióxido de cloro pode não só provocar graves danos na saúde, como levar à morte por intoxicação.

Esta substância é desaconselhada pelas autoridades de saúde há vários anos. A Agência norte-americana para as Substâncias Tóxicas e o Registo de Doenças lançou um alerta em setembro de 2004 sobre o perigo de ingerir a solução. "O dióxido de cloro e o clorito reagem rapidamente na água e nos tecidos húmidos do corpo. Se respirar ar que contém gás dióxido de cloro, poderá sentir irritação no nariz, garganta e pulmões. Se comer ou beber grandes quantidades de dióxido de cloro ou clorito, poderá sentir irritação na boca, esófago ou estômago", alerta a agência norte-americana.

Em relação à ozonoterapia, João Júlio Cerqueira, médico especialista de Medicina Geral e Familiar e criador do projeto Scimedsublinha que "não há qualquer evidência que justifique a utilização de ozonoterapia como tratamento ou 'método preventivo' para a Covid-19" e que a "a sua utilização parece ser irrelevante para praticamente todo o tipo de doenças que se propõe a tratar, com exceção de tratamentos de hérnias discais".

  • "O vírus tem cura se forem utilizados os medicamentos adequados"

Não existe, até ao momento, qualquer medicamento ou substância com capacidade de curar ou prevenir a Covid-19. A Organização Mundial de Saúde (OMS) "não recomenda automedicação de nenhum medicamento, incluindo antibióticos, como prevenção ou cura para a Covid-19", pode ler-se na secção de perguntas e respostas do organismo sobre a doença. Para prevenir o contágio, devem seguir-se as recomendações sempre defendidas pelas autoridades sanitárias mundiais: efetuar uma boa higiene respiratória, evitar tocar com as mãos nos olhos, nariz e boca e lavar frequentemente as mãos.

  • "O vírus foi criado em laboratório"

O Polígrafo já desmentiu várias vezes a alegação, propagada por diversos artigos nas redes sociais, de que o novo coronavírus foi criado em laboratório. No dia 17 de março foi publicado um estudo científico que demonstra a origem natural do SARS-CoV-2. Nesse estudo, os autores sublinham que "as nossas análises demonstram claramente que o SARS-CoV-2 não é uma construção em laboratório nem um vírus propositadamente manipulado".

  • "A OMS deixou de considerar o novo coronavírus como pandemia"

A Covid-19 foi declarada como pandemia no dia 12 de março de 2020 pela Organização Mundial de Saúde. Não há qualquer registo no site oficial da OMS que a doença tenha deixado de ter essa conotação. Aliás, no último discurso proferido por Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, no dia 22 de setembro, Ghebreyesus referiu-se à Covid-19 como pandemia.

  • "As vacinas só vão afetar mais a sua saúde a médio e longo prazo"

Nenhuma vacina é 100% eficaz. Porém, a OMS afirma que a maioria das rotinas de imunização infantil funciona em 85% a 95% dos casos. Cada pessoa reage de uma forma particular à sua administração, o que significa que nem todos entre os que foram vacinados desenvolverão imunidade à doença. A verdade científica diz-nos que pessoas não vacinadas adoecem com maior frequência. Os movimentos que, pelo mundo, desencorajam a vacinação, alegando inúmeros perigos para a saúde, não são mais que uma luta contra factos e evidências científicas- há anos que se prova que são mais os benefícios do que os perigos. O Polígrafo já desmentiu várias vezes esta alegação (pode ler aqui e aqui).

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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