"Covid 19 não é uma doença mortal. Não há nenhuma pessoa no mundo que morreu da Covid-19. Pessoas morreram com Covid-19", sublinha-se na mensagem da publicação em causa.

Tais alegações baseiam-se num suposto "consenso da Sociedade Europeia de Patologia" e em citações de um patologista búlgaro, Stoyan Alexov, que terá afirmado que "a infeção pelo novo coronavírus não leva à morte".

Confirma-se que a Covid-19 "não é uma doença mortal" pois ninguém morreu "de Covid-19" mas sim "com Covid-19"?

De facto, o médico Stoyan Alexov é o atual presidente da Associação Búlgara de Patologia, uma das muitas organizações que integram a Sociedade Europeia de Patologia. Alexov deu uma entrevista no dia 8 de maio (pode ler a tradução em inglês aqui), no âmbito da qual afirmou que o "alarmismo" relativamente ao novo coronavírus contribuiu para o aumento de stress na população, o que tornou o sistema imunitário da população mais fraco e incapaz de combater o coronavírus. O patologista defendeu também que a criação de uma vacina é impossível e que o SARS-CoV-2 não tem potencial pandémico.

"Quando dizemos que um paciente morreu por causa do novo coronavírus, queremos dizer que o vírus levou a uma pneumonia e consequentemente à morte da pessoa, sem qualquer outra doença ou comorbilidade. Mas não há factos que sustentem isto, ninguém nunca reportou estes casos", declarou Alexov na entrevista.

Celso Cunha, virologista, refuta as afirmações de Alexov: "O Dr. Stoyan na referida entrevista faz várias afirmações no mínimo controversas e sem suporte científico. Por exemplo, a não existência de mortes por Covid-19 e a não existência de uma pandemia".

Questionado pelo Polígrafo, o virologista Celso Cunha refuta as afirmações de Alexov: "O Dr. Stoyan na referida entrevista faz várias afirmações no mínimo controversas e sem suporte científico. Por exemplo, a não existência de mortes por Covid-19 e a não existência de uma pandemia".

"As pessoas morrem mesmo de Covid-19 e não apenas com Covid-19", assegura Cunha. "O vírus pode causar diretamente pneumonias com desfecho fatal para muitos doentes, independentemente de pertencerem ou não a grupos de risco, embora nestes últimos a probabilidade de desenvolver sintomas mais graves esteja bem estabelecida".

"Os mortos pelo novo coronavírus são pessoas hospitalizadas, nos cuidados intensivos, e a necessitar de ventilação ou oxigénio. E não é por terem pé de atleta ou uma gripezinha. É por estarem infetadas com SARS-CoV-2, por não conseguirem respirar, por terem níveis de oxigénio baixos e por terem pneumonia provocada por SARS-CoV-2", garante Celso Cunha.

"Os mortos pelo novo coronavírus são pessoas hospitalizadas, nos cuidados intensivos, e a necessitar de ventilação ou oxigénio. E não é por terem pé de atleta ou uma gripezinha. É por estarem infetadas com SARS-CoV-2, por não conseguirem respirar, por terem níveis de oxigénio baixos e por terem pneumonia provocada por SARS-CoV-2", garante o virologista.

"É verdade que muitos doentes morrem devido a patologias crónicas graves que já possuíam e foram exacerbadas pela infeção com o vírus. Nestes casos, a infeção viral contribui para acelerar a morte. Será isto que querem dizer com 'morrer com Covid-19'? Provavelmente e, como disse o presidente Bolsonaro, as pessoas morrem de qualquer maneira, com ou sem Covid-19. É uma lógica inatacável mas também um argumento absolutamente absurdo, cruel e de mau gosto", conclui.

Filipe Froes, pneumologista, aponta no mesmo sentido. "Para os mais de 500 mil óbitos ao nível mundial e os mais de 1.600 cidadãos residentes em Portugal que faleceram por Covid-19, estas questões linguísticas não têm qualquer significado, interesse ou, infelizmente, mudança de estado", sublinha.

Em suma, ainda que Stoyan Alexov tenha proferido as afirmações em causa, não é verdade que as pessoas não morram diretamente da infeção pelo novo coronavírus.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

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