"A Covid-19 desaparece com o tempo quente, porque as vacinas são excelentes. E aumenta com o tempo frio, porque surgem novas variantes". Eis a mensagem de uma das várias publicações detectadas pelo Polígrafo que sugerem que o novo coronavírus deixa de circular entre a população durante os meses com temperaturas mais elevadas, devido ao calor.

Essa ideia tem algum fundamento?

Questionada pelo Polígrafo, a presidente da Associação Portuguesa de Epidemiologia, Elisabete Ramos, sublinha desde logo: "O último Verão mostrou-nos que a Covid-19 não desaparece com o tempo quente".

A epidemiologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Porto explica que tal como acontece com todas as doenças respiratórias, "há alguma sazonalidade na doença", já que com o tempo frio geram-se condições para que o vírus se transmita mais facilmente. No entanto, ressalva, "isso não quer dizer que no tempo quente ele desapareça".

De acordo com a investigadora, além de o vírus preferir "temperaturas mais frias", o facto de "as pessoas durante o Inverno permanecerem em espaços fechados, com menor circulação do ar, facilita a sua transmissão".

"No Inverno estamos em espaços duplamente fechados. Não só estamos dentro de casa, como estamos dentro de casa com tudo fechado. E encontramo-nos com os amigos dentro de restaurantes em vez de nos encontrarmos em esplanadas", sustenta.

Mas reitera que "isso não quer dizer que durante o calor não haja transmissão da doença. Contudo, não estão reunidas as condições ideais para o vírus e acaba por acontecer [a transmissão] menos vezes”.

Aliás, se o vírus enfraquecesse com o calor, "no Verão não teríamos tido casos e teríamos conseguido resolver a questão". Além disso, se assim fosse, os países com temperaturas mais quentes "também poderiam estar tranquilos porque o vírus não lhes chegaria, o que não se verificou".

Por isso, conclui Ramos, "não é verdade que o vírus não resista a temperaturas elevadas em termos de clima".

No mesmo sentido aponta Celso Cunha, virologista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, que lembra um outro fator que pode contribuir, em parte, para uma maior propagação da doença durante o Inverno: a chuva.

"Se o vírus estiver em alguma superfície cá fora, é natural que se formem alguns aerossóis com a chuva e que venha algum vírus no meio dela, nesses aerossóis. Portanto, também é possível que haja alguma contaminação por esse meio", destaca.

Recorde-se que, em Portugal, foram registados novos casos de Covid-19 durante o Verão de 2020 e 2021. No Verão deste ano verificou-se até um novo pico de casos. Por exemplo, no dia 21 de julho de 2021 foram contabilizados 4.376 novos casos e 13 mortes por Covid-19.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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