É mais uma publicação em forma de meme com as imagens de Mário Centeno, ministro das Finanças, e António Costa, primeiro-ministro, tal como muitas outras que têm surgido nas redes sociais ao longo desta semana, motivadas pela apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2020.

Com origem na página "PSD Europa", alojada no Facebook, a publicação em causa difunde a seguinte mensagem: "Carga fiscal é maior que no tempo da troika".

Vários utilizadores do Facebook denunciaram este conteúdo como sendo fake news. A informação veiculada é verdadeira ou falsa?

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados no boletim de Estatísticas das Receitas Fiscais de 13 de maio de 2019, "a carga fiscal aumentou 6,5% em termos nominais, atingindo 71,4 mil milhões de euros, o que corresponde a 35,4% do PIB" em 2018 (em 2017 cifrou-se em 34,4% do PIB).

Consultando o mesmo boletim verifica-se também que, em 1995, a carga fiscal em Portugal cifrou-se em 29,3% do PIB. Ou seja, a carga fiscal em 2018 atingiu o valor mais elevado desde pelo menos 1995. A carga fiscal aumentou de 29,3% do PIB em 1995 para 35,4% em 2018.

Na proposta do Orçamento do Estado para 2020, apresentada esta semana, estão inscritas estimativas da carga fiscal em 2019 e 2020, a saber, de 34,7% e 35,1% do PIB respetivamente.

Durante o período de intervenção mais formal da troika, entre 2011 e 2014, a carga fiscal variou entre um mínimo de 31,8% do PIB em 2012 e um nível máximo de 34,3% em 2014.

Antes da intervenção financeira, a carga fiscal andava à volta dos 32%, tendo subido com a troika e com o Governo de Passos Coelho para 34%. Já no Governo de António Costa, chegou aos 35% e, durante a governação socialista, o que se verificou foi uma diminuição do peso dos impostos diretos e um aumento dos indiretos. Por tudo isto, é verdade que agora há mais um ponto percentual de carga fiscal do que no tempo de Passos Coelho e mais três pontos do que antes da chegada da troika.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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