“Caixa Geral de Depósitos desvia fundos das vítimas dos incêndios para equipar hospitais”, destaca o título de uma publicação na página “Portugal Glorioso”, indicando também que se trata de uma citação de Paulo Morais, antigo candidato à Presidência da República e atual presidente da associação Frente Cívica.

Segue-se mais uma citação na primeira pessoa de Paulo Morais, retirada a partir da sua página na rede social Facebook e a qual passamos a transcrever: “Inacreditável! A Caixa Geral de Depósitos está a utilizar os donativos para as vítimas dos incêndios de Pedrógão para equipar hospitais. Com que mandato, com que legitimidade estão a desviar os fundos das vítimas? Usar os donativos para objetivos diferentes daqueles que estavam previstos é um desrespeito, uma deslealdade para com os doadores”.

A publicação é datada de 27 de outubro de 2017, mas ressurgiu esta semana na página “Portugal Glorioso”, estando novamente a ser partilhada por milhares de pessoas nas redes sociais. E vários leitores do Polígrafo solicitaram a verificação dos factos invocados. É verdade que a Caixa Geral de Depósitos desviou fundos das vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande para equipar hospitais?

De facto, essa informação foi confirmada pelo próprio presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, no dia 20 de outubro de 2017. “Uma parte já foi para projetos concretos e cerca de 500 mil euros vão ser aplicados junto de instituições de saúde para equipar as que têm ajudado as populações, quer na unidade de queimados, quer noutras, na zona de Coimbra”, declarou então Paulo Macedo, referindo-se à aplicação dos donativos recolhidos pela Caixa Geral de Depósitos para ajudar as vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande.

Na sequência da tragédia de Pedrógão Grande, a 18 de junho de 2017, a Caixa Geral de Depósitos criou uma conta solidária intitulada como “Unidos por Pedrógão Grande”. Milhares de portugueses, empresas e particulares, concederam donativos para essa conta solidária que determinava, na altura, quatro destinos para os fundos recolhidos: “a reconstrução e reabilitação das primeiras habitações; a reconstrução ou reabilitação de anexos agrícolas; a recuperação dos meios de subsistência das famílias mais gravemente afetadas; o apoio às associações de apicultores com alimentação sólidas para as abelhas”.

Ou seja, não estava previsto que os donativos fossem utilizados para equipar hospitais. Pelo menos inicialmente, quando a conta solidária foi aberta. Nesse sentido, as questões levantadas por Paulo Morais são pertinentes. No total, a conta solidária recolheu cerca de 2,6 milhões de euros em donativos e a própria Caixa Geral de Depósitos admitiu que pelo menos 500 mil euros foram utilizados para equipar hospitais, um destino que não estava inicialmente previsto nem anunciado na promoção da iniciativa.

A publicação em causa é portanto verdadeira, embora com um “mas” inerente à escolha do verbo “desviar”. Ao dizer que o banco público desviou fundos das vítimas dos incêndios para outros fins, Paulo Morais pode estar a induzir em erro, na medida em que parece que os fundos foram usurpados ou utilizados para fins que não têm qualquer relação com as vítimas dos incêndios. E isso não é verdade. Como explicou Paulo Macedo, serviu para equipar instituições de saúde “que têm ajudado as populações, quer na unidade de queimados, quer noutras, na zona de Coimbra”.

Esse é o único detalhe impreciso ou ambíguo a sinalizar numa publicação que, no global, invoca factos corretos e verdadeiros.

Avaliação do Polígrafo:

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