“A origem da Black Friday vem dos Estados Unidos na época da escravidão, quando os africanos eram comercializados a um preço mais barato para os grandes proprietários de terras na última sexta-feira de novembro”, indica um texto publicado no Facebook. A alegada explicação do conceito foi partilhada milhares de vezes nas redes sociais. Mas estará esta informação correta?

Não. De acordo com o canal “History”, o termo “Black Friday" surgiu” durante o crash no mercado do ouro nos Estados Unidos, em 24 de setembro de 1869. Nesse dia, dois especuladores financeiros, Jay Gould e Jim Fisk, conseguiram lucrar com a queda livre dos preços da matéria-prima, depois de terem comprado o máximo de ouro que puderam, na esperança de aumentar o preço e vendê-lo com lucros exponenciais.

Mas há outras explicações para o aparecimento deste conceito. O site de fact-checking norte-americano Snopes sugere que a expressão terá sido registada pela primeira vez em 1951, quase cem anos depois da abolição da escravatura nos Estados Unidos. O termo era usado para se referir ao elevado número de pessoas que faltavam ao trabalho para fazer ‘ponte’, na altura do feriado do Dia de Ação de Graças, dizendo que estavam doentes. O fenómeno levou ao aparecimento de um outro conceito: a epidemia da “peste-de-ação-de-graças”.

Só na década de 1960 é que o termo passou a ser sinónimo das promoções feitas na sexta-feira após o Dia de Ação de Graças, referindo-se à confusão causada pelo grande número de consumidores nas ruas. Outra explicação comummente usada para explicar este termo é a de que, neste dia, os lojistas conseguiam tirar as contas “do vermelho” graças ao elevado volume de vendas de artigos em promoção, passando-as a “preto” (positivo).

Black Friday

Aos poucos, o conceito foi ganhando terreno e, a partir da década de 1990, passou a ser oficialmente usado para designar o dia que inaugura a época de compras de Natal. Atualmente, a “Black Friday” popularizou-se como o dia em que as lojas vendem produtos com grandes descontos.

Quer isto dizer que o termo não tem nada a ver com a venda de escravos nos Estados Unidos. Aliás, a escravidão foi banida por lei nos Estados Unidos, em 1865, com a 13ª Emenda à Constituição, quatro anos antes do crash no mercado do ouro.

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