“Que fique bem claro, a Amazónia é o coração e o pulmão do mundo.” Esta frase foi escrita numa publicação do Facebook partilhada a 16 de junho, mas a convicção não é nova. Durante vários anos, generalizou-se a ideia de que esta floresta, localizada na América do Sul, seria responsável pela produção da maior parte do oxigénio presente na atmosfera terrestre. No entanto, a ciência já desconstruiu este mito.

Apesar de ser a maior floresta tropical do mundo e de constituir um reservatório de biodiversidade fundamental para o planeta, a Amazónia não pode ser apelidada de “o pulmão do mundo”. O Polígrafo conversou com duas investigadoras para perceber porquê.

Questionada pelo Polígrafo, a professora da Universidade do Algarve e investigadora do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), Ester Serrão, começa por explicar que “o oxigénio da atmosfera foi sendo produzido ao longo de cerca de dois milhares de milhões de anos da História da vida na Terra”, ainda antes de existirem plantas.

Esse oxigénio, que hoje serve os seres que habitam a Terra, “começou por ser produzido nos oceanos por bactérias que fazem fotossíntese, as cianobactérias”, adianta a investigadora. Nesse sentido, acrescenta, este processo de milhares de milhões de anos permitiu acumular oxigénio, "aumentando a sua percentagem na atmosfera até ao valor que existe atualmente”.

Ester Serrão sublinha que foram estas cianobactérias a dar "origem aos cloroplastos das algas”, e só mais recentemente, “quando o nível de oxigénio no nosso planeta estava nos níveis atuais, é que evoluíram na Terra as plantas”, sustenta.

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No mesmo plano, a professora catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigadora do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, Vanda Brotas, acrescenta que “nos últimos anos graças ao recurso a novas tecnologias como a observação por satélites, concluiu-se que o principal processo que liberta o oxigénio para a atmosfera é o processo fotossintético das plantas superiores e das algas”.

Além disso, conclui a investigadora, em relação à produção atual de oxigénio no planeta Terra, a ciência acredita que cerca de metade acontece na vegetação terrestre e a outra metade no oceano.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian financiada pela Google.

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