"A Alemanha disse adeus a Merkel com seis minutos de calorosos aplausos. Os alemães escolheram-na para liderá-los e ela liderou 80 milhões de alemães por 18 anos com competência, habilidade, dedicação e sinceridade", começa por se destacar no texto, em publicação datada de 30 de janeiro.

"Há poucos dias Merkel deixou a posição de liderança do partido e entregou-a aos que a seguiram e a Alemanha e seu povo alemão estão em melhor forma do que estavam quando ela chegou. A reação dos alemães foi sem precedentes em toda a sua História. Toda a gente nas cidades saiu (…) das casas e aplaudiu calorosa e espontaneamente por seis minutos contínuos", acrescenta-se.

Este relato é verdadeiro?

Em primeiro lugar importa esclarecer que, apesar de ter abandonado a liderança do seu partido União Democrata-Cristã (CDU) em 2018 - sendo então sucedida por Annegret Kramp-Karrenbauer que viria a demitir-se e, por sua vez, foi depois sucedida por Armin Laschet já em janeiro de 2021 -, o facto é que vai continuar a exercer o cargo de chanceler da Alemanha até setembro de 2021.

As próximas eleições gerais na Alemanha estão marcadas para o dia 26 de setembro e Merkel, chanceler desde 2005, já anunciou que não vai concorrer a um quinto mandato.

Quanto à suposta ovação descrita no post sob análise, está descontextualizada no tempo e no espaço, além de se extrapolar a abrangência do aplauso que, na realidade, ocorreu em 2018, num congresso do seu partido.

Segundo noticiou a BBC no dia 7 de dezembro de 2018, após o discurso de despedida de Merkel da liderança da CDU, a chanceler foi aplaudida de pé durante seis minutos - não por toda a Alemanha, literalmente, mas pelos membros do seu partido que estavam presentes no referido congresso. Pode conferir numa gravação em vídeo do momento na página do jornal britânico "The Guardian" na plataforma YouTube.

Em suma, a publicação em causa difunde várias falsidades. Além da descontextualização e extrapolação do aplauso, apresenta também citações apócrifas de Merkel, para as quais não encontramos qualquer registo público ou fonte fidedigna.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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