O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Trump mudou interpretação da lei para menosprezar lixo radioativo considerado perigoso?

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
A administração Trump propôs uma interpretação mais restritiva do conceito «resíduos radiativos de alto nível», de modo a que grandes quantidades de lixo consideradas, até agora, perigosas, possam ser armazenadas em locais menos seguros. As organizações ambientais contestam, os governadores dos estados dividem-se. Verdadeiro ou falso?

Os Estados Unidos têm mais de 90 mil toneladas de lixo nuclear que, segundo a lei existente, precisam de estar armazenadas em lugares seguros, em profundidade, sítios, portanto, muito dispendiosos. De acordo com o Gabinete de Responsabilização do Governo, uma agência independente e apartidária que trabalha para o Congresso, «o combustível gasto, que pode representar riscos sérios para o homem e para o ambiente, é suficiente para ocupar um campo de futebol com cerca de 20 metros de profundidade».

O problema reside no facto de, atualmente, o país não ter um local adequado para guardar estes resíduos, que deverão crescer para as 140 mil toneladas nos próximos dez anos. A construção de um espaço de contenção de longo prazo para armazenar o lixo mais perigoso tem sido adiada, devido a atrasos e a entraves legais, mesmo perante um cenário em que os lixos mais perigosos precisam desse espaço que não existe. Por isso, a 5 de junho, Donald Trump, que acaba de apresentar a sua recandidatura à Casa Branca, anunciou uma mudança na interpretação da legislação, que permitirá, segundo o Departamento de Energia, que uma parte deste lixo seja armazenado de acordo com regras menos restritivas.

Donald Trump divulgou taxa de aprovação do seu desempenho inflacionada em 12 por cento?
Donald Trump, que esta madrugada apresentou a sua recandidatura à Casa Branca, é conhecido por menosprezar questões ambientais

A solução passa por modificar a interpretação do conceito de «resíduos radioativos de alto nível» , inscrito na lei, de forma a excluir dele partes do lixo que exigem medidas especiais de segurança. O Governo garante que algum material pode deixar a classificação de «resíduos radioativos de alto-nível», e assim pode ser armazenado numa estrutura diferente, menos dispendiosa.

Os grupos ambientais, como seria expectável, estão a contestar a medida. Entre a comunidade científica, é considerado que a nova interpretação do conceito de «resíduos radioativos de alto nível» é uma resposta rápida para um problema que precisa de uma solução mais abrangente, mas, ao mesmo tempo, é uma decisão que aumenta o potencial dos danos que possam vir a ser causados pelos resíduos.

As reações têm sido diversas. O governador de Washington, que produz 60% do lixo de alto nível radioativo nos Estados Unidos, considera que a decisão é «abrir a porta para que o Governo se afaste da obrigação de limpar grandes quantidades de lixo tóxico e radioativo». O governador aponta o dedo ao Estado por se estar a demitir de uma responsabilidade, e classifica a alteração à interpretação do conceito como «imprudente e perigosa».

O governador do Estado da Carolina do Sul foi menos acutilante, vendo nesta alteração uma hipótese para que o lixo saia do território do estado como mais facilidade, uma vez que este tipo de resíduos tem sido guardado, temporariamente, nas centrais nucleares onde é gerado.

Os grupos ambientais, como seria expectável, estão a contestar a medida. Entre a comunidade científica, é considerado que a nova interpretação do conceito de «resíduos radioativos de alto nível» é uma resposta rápida para um problema que precisa de uma solução mais abrangente, mas, ao mesmo tempo, é uma decisão que aumenta o potencial dos danos que possam vir a ser causados pelos resíduos.

Em 2012, Barack Obama criou a Comissão Fita Azul, com o objetivo de rever políticas nucleares,  gerir o ciclo do combustível e traçar novas estratégias. A verdade, diz o site de verificação de factos Snopes, é que essa organização ainda não ganhou forma, para já, e em vez disso, o Departamento de Energia preferiu mudar a interpretação de um conceito existente na lei que, aos olhos da comunidade científica, é fundamental.

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque