Os Estados Unidos têm mais de 90 mil toneladas de lixo nuclear que, segundo a lei existente, precisam de estar armazenadas em lugares seguros, em profundidade, sítios, portanto, muito dispendiosos. De acordo com o Gabinete de Responsabilização do Governo, uma agência independente e apartidária que trabalha para o Congresso, «o combustível gasto, que pode representar riscos sérios para o homem e para o ambiente, é suficiente para ocupar um campo de futebol com cerca de 20 metros de profundidade».
O problema reside no facto de, atualmente, o país não ter um local adequado para guardar estes resíduos, que deverão crescer para as 140 mil toneladas nos próximos dez anos. A construção de um espaço de contenção de longo prazo para armazenar o lixo mais perigoso tem sido adiada, devido a atrasos e a entraves legais, mesmo perante um cenário em que os lixos mais perigosos precisam desse espaço que não existe. Por isso, a 5 de junho, Donald Trump, que acaba de apresentar a sua recandidatura à Casa Branca, anunciou uma mudança na interpretação da legislação, que permitirá, segundo o Departamento de Energia, que uma parte deste lixo seja armazenado de acordo com regras menos restritivas.

A solução passa por modificar a interpretação do conceito de «resíduos radioativos de alto nível» , inscrito na lei, de forma a excluir dele partes do lixo que exigem medidas especiais de segurança. O Governo garante que algum material pode deixar a classificação de «resíduos radioativos de alto-nível», e assim pode ser armazenado numa estrutura diferente, menos dispendiosa.
Os grupos ambientais, como seria expectável, estão a contestar a medida. Entre a comunidade científica, é considerado que a nova interpretação do conceito de «resíduos radioativos de alto nível» é uma resposta rápida para um problema que precisa de uma solução mais abrangente, mas, ao mesmo tempo, é uma decisão que aumenta o potencial dos danos que possam vir a ser causados pelos resíduos.
As reações têm sido diversas. O governador de Washington, que produz 60% do lixo de alto nível radioativo nos Estados Unidos, considera que a decisão é «abrir a porta para que o Governo se afaste da obrigação de limpar grandes quantidades de lixo tóxico e radioativo». O governador aponta o dedo ao Estado por se estar a demitir de uma responsabilidade, e classifica a alteração à interpretação do conceito como «imprudente e perigosa».
O governador do Estado da Carolina do Sul foi menos acutilante, vendo nesta alteração uma hipótese para que o lixo saia do território do estado como mais facilidade, uma vez que este tipo de resíduos tem sido guardado, temporariamente, nas centrais nucleares onde é gerado.
Os grupos ambientais, como seria expectável, estão a contestar a medida. Entre a comunidade científica, é considerado que a nova interpretação do conceito de «resíduos radioativos de alto nível» é uma resposta rápida para um problema que precisa de uma solução mais abrangente, mas, ao mesmo tempo, é uma decisão que aumenta o potencial dos danos que possam vir a ser causados pelos resíduos.
Em 2012, Barack Obama criou a Comissão Fita Azul, com o objetivo de rever políticas nucleares, gerir o ciclo do combustível e traçar novas estratégias. A verdade, diz o site de verificação de factos Snopes, é que essa organização ainda não ganhou forma, para já, e em vez disso, o Departamento de Energia preferiu mudar a interpretação de um conceito existente na lei que, aos olhos da comunidade científica, é fundamental.
Avaliação do Polígrafo:
