Não é claro se foi a fotografia que corre as redes sociais que deu azo às declarações de Jair Bolsonaro sobre a participação da jornalista e apresentadora da Rede Globo Míriam Leitão na guerrilha a favor da ditadura no Brasil, ou o contrário. O que é certo é que Míriam Leitão tem sido alvo de diversos ataques caluniosos e falsos quer por parte dos apoiantes do atual presidente brasileiro e da extrema direita, quer pelos apoiantes da esquerda e do PT.

Entre as várias publicações destaca-se a imagem que se tornou viral nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp onde surge uma rapariga com uma arma na mão, ao lado de um militar com um bloco e uma caneta. A descrição afirma que se trata da “garota propaganda da Globo fazendo propaganda de guarda chuva”, ou seja, “a inocente Míriam Leitão segurando uma inocente furadeira…”, pode ler-se numa tentativa de ironizar com a situação.

Mas será que é mesmo Míriam Leitão quem surge nesta fotografia?

Não, não é. Segundo a investigação da plataforma de fact checking E-Farsas, na imagem estão o militar desertor e guerrilheiro Carlos Lamarca acompanhado por Iara Lavelberg, também guerrilheira e militante que foi morta em 1971. A fotografia foi tirada a 22 de janeiro de 1969, segundo a informação disponível no Folhapress, e tendo em conta que a jornalista nasceu em abril de 1953, esta teria apenas 15 anos à data.

Jair Bolsonaro acusou Míriam Leitão de ter mentido sobre ter sido torturada e afirmou que a jornalista foi “presa indo para a guerrilha de Araguaia para tentar impor uma ditadura no Brasil”. E esta afirmação do presidente, que é também falsa, esteve na origem de uma outra fake news sobre Míriam Leitão: a TV Globo teria despedido a jornalista.

Miriam Leitão

Em vez de demitir a jornalista, o canal brasileiro emitiu uma nota de repúdio sobre as declarações de Jair Bolsonaro, mostrando o seu total apoio à jornalista: “É preciso dizer com todas as letras que não é a jornalista quem mente. Míriam Leitão nunca participou ou quis participar da luta armada. (…) Ela foi presa e torturada, grávida, aos 19 anos, quando estava detida no 38.º batalhão da infantaria, em Vitória. No auge da ditadura de 64, em 1973 Míriam denunciou a tortura perante a primeira auditoria de aeronáutica no Rio, enfrentando todos os riscos que isso representava à época”. Durante o comunicado, a Rede Globo reafirma a confiança na apresentadora, o que contraria a teoria de que foi despedida.

Os ataques entre as forças políticas e os jornalistas brasileiros tem sido constante nos últimos tempos, principalmente desde que Bolsonaro assumiu o Palácio do Planalto. No entanto, o presidente brasileiro recusou ser “inimigo” da imprensa. No Twitter, afirmou: “Não adianta a imprensa me pintar como seu inimigo.”

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