A Organização Mundial de Saúde (OMS) admitiu pela primeira vez estar a considerar a possibilidade de o novo coronavírus ser transmitido pelo ar e através de aerossóis. A admissão surgiu na semana passada, na sequência de uma carta subscrita por 239 cientistas e investigadores em que se apela à comunidade médica para considerar a transmissão do vírus pelo ar como uma potencial forma de contágio da Covid-19, sublinhando que as evidências que comprovam este fenómeno são cada vez mais robustas.

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A resposta da OMS chegou a 7 de julho: “Admitimos que existem evidências emergentes neste campo – tal como em todos os outros campos que dizem respeito ao vírus da Covid-19 e à pandemia – e acreditamos que temos de estar abertos a elas e perceber as suas implicações no que respeita às formas de transmissão e, também, no que respeita às precauções que necessitam ser tomadas”, afirmou Benedetta Allegranzi, responsável técnica da OMS, acrescentando que a organização tem vindo a trabalhar em conjunto com vários dos cientistas que assinaram a carta.

“Estes são campos de investigação que estão, realmente, a crescer e para os quais existem algumas evidências a surgir. Mas não são definitivas. A possibilidade de transmissão pelo ar em contexto público – especialmente em condições muito específicas: contextos lotados, fechados, pouco ventilados – tem sido descrita, não pode ser colocada de parte. No entanto, as evidências têm de ser reunidas e interpretadas”, disse ainda Allegranzi.

Também Maria Van Kerkhove, diretora da unidade de doenças emergentes da OMS, admitiu que a organização tem “vindo a falar da possibilidade da transmissão por ar e transmissão por aerossóis como um dos modos de transmissão da covid-19”.

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Desde o início da pandemia que a possibilidade de o vírus ser transmitido pelo ar ou através de aerossóis tem sido colocada de parte pela OMS. Ao longo dos últimos meses, vários estudos têm vindo a testar a possibilidade da transmissão do novo coronavírus através de aerossóis. A 17 de março, por exemplo, foi publicado um artigo no The New England Journal Medicine onde se avança que o “SARS-CoV-2 permanece viável em aerossóis” durante três horas. A experiência avaliou também a duração do vírus em diferentes superfícies. Os resultados deste estudo são preliminares e foram obtidos através de experiências realizadas em laboratório, ou seja, não tiveram em conta os fatores e as condições reais de uma situação de contágio.

Desde o início da pandemia que a possibilidade de o vírus ser transmitido pelo ar ou através de aerossóis tem sido colocada de parte pela OMS. Ao longo dos últimos meses, vários estudos têm vindo a testar a possibilidade da transmissão do novo coronavírus através de aerossóis.

Até ao momento, a OMS mantém as recomendações para prevenir o contágio: “Sempre que possível, evitar contextos fechados, promover uma ventilação apropriada e otimizada em ambientes interiores e, também, asseguras distanciamento físico. Quando isto não é possível, em zonas com transmissão comunitária do vírus, recomendamos o uso de máscaras faciais – em particular de tecido, não máscaras médicas – para a população”, aconselhou Allegranzi.

Em conclusão, é verdade que a OMS evoluiu na sua posição sobre a possibilidade de a transmissão do novo coronavírus se transmitido através do ar e de aerossóis, mas os estudos ainda são preliminares, necessitando de confirmação cabal.

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