Quando decidiu criar a sua página no Facebook?

No dia 10 de Novembro de 2015, após ter organizado a primeira manifestação em frente à Assembleia da República contra a moção de rejeição, assinada pelos partidos de esquerda, que pretendiam fazer cair o governo PSD/CDS.

O que o motivou a fazê-lo?

Na altura era presidente da Concelhia do CDS em Monforte, Alto-Alentejo. Decidi manifestar-me e juntar pessoas de direita a meu lado. Achava que não era correto um governo que ganhou as eleições ter que cair por um capricho da esquerda, como aconteceu nessa tarde. Recorde-se que em 44 anos foi a primeira vez que a direita se manifestou, conseguindo um feito histórico nesse sentido, além de colocar a CGTP (que se manifestava a favor da moção de rejeição) no lado oposto da escadaria da Assembleia da República quando se queriam manifestar em frente à escadaria. Não era para uns, também não era para outros, a frente da escadaria ficou livre.

O que faz profissionalmente?

Trabalho em vários projetos musicais. Dou aulas de música a pessoas idosas, a adultos e crianças. Tenho criado vários grupos de cante alentejano e estudo as raízes da música alentejana, tentando incutir aos mais novos o gosto por esta tradição tão nossa, de forma a que não se perca a sua essência com o tempo. Sou também estudante universitário na área de Serviço Social.

Desfiliei-me do CDS por não ir de encontro às minhas ideologias políticas, por ser um partido sem visão para o futuro e com uma liderança que deixa muito a desejar. Um partido que nunca vai conseguir chegar ao poder. Depois, tenho publicações que dão para todos os gostos e feitios. Tanto opino sobre a esquerda como a direita, o que na minha opinião já não existe – existe, isso sim, uma cambada de salafrários que se uniu para roubar os desgraçados dos pobres.

Quantas horas dedica diariamente a atualizar os conteúdos da sua página?

Entre uma a duas horas por dia. Escrevo as minhas opiniões e criticas e programo-as para uma hora em que serão automaticamente publicadas pelo próprio Facebook. Durante a noite gosto de ler as centenas de mensagens e comentários que me enviam e tento responder a todos, o que por vezes é bastante complicado.

A sua página é uma fonte de rendimento?

De modo algum. O Facebook é a única plataforma online onde não se ganha dinheiro com as publicações. Era bom (risos), com a afluência enorme que a página tem, se fosse numa outra plataforma onde se ganhasse dinheiro tenho a certeza que já tinha feito bastante. Mas não faço isto por dinheiro, faço por amor à camisola.

Mário Gonçalves numa manifestação frente ao Parlamento
Mário Gonçalves numa manifestação frente ao Parlamento

A partir de que momento começou a perceber que as suas opiniões sobre atualidade interessavam aos que o liam?

Eu penso que as pessoas gostam de pessoas diretas e sem pudores. Eu não gosto de desempenhar o papel do “politicamente correto”. O que tenho a dizer digo abertamente. Não gosto de palavras bonitas. Gosto de falar a língua do povo. Palavras bonitas estão as pessoas fartas de ouvir. Gosto de escrever o que me vai na alma. O que eu sinto. E sei que há muitas pessoas que gostam de mim desta forma e que se identificam comigo. O resultado está à vista, caso contrário não estaríamos a ter esta conversa.

Como se situa politicamente? A avaliar pelas suas publicações tudo indica que é um homem de direita.

Tudo aquilo que fazemos no dia-a-dia é política. Situo-me na chamada política social. Quando refere que as minhas publicações indicam que sou um homem de direita, tenho de discordar. Já fui, mas já não sou. Desfiliei-me do CDS por não ir de encontro às minhas ideologias políticas, por ser um partido sem visão para o futuro e com uma liderança que deixa muito a desejar. Um partido que nunca vai conseguir chegar ao poder. Depois, tenho publicações que dão para todos os gostos e feitios. Tanto opino sobre a esquerda como a direita, o que na minha opinião já não existe – existe, isso sim, uma cambada de salafrários que se uniu para roubar os desgraçados dos pobres. Esta é a verdade. Soluções para o País? Zero! Mas na hora dos votos é tudo muito bonito. Está na hora de Unir Portugal e não é com estes partidos que estão no poder há mais de 40 anos e que não fizeram rigorosamente nada. E não me venham com tretas do arco da velha que este é melhor que aquele, é tudo a mesma cambada!

Já foi publicamente ligado a uma página na internet que veicula fake news, a Gazeta Política. Confirma essa ligação?

A nossa comunicação social está cada vez mais podre e viciada pelo sistema, desculpe que lhe diga. O Diário de Notícias e a SIC entraram em contacto comigo e queriam entrevistar-me sobre as fake news. De seguida fizeram-me perguntas sobre o site Gazeta Política, a que respondi que conhecia pelo facto de o mesmo partilhar notícias sobre a minha página. Que culpa tenho? O Polígrafo também partilhou notícias sobre a minha pessoa, então deve-se supor que é gerido por mim? Tal como outras centenas de sites que partilham notícias sobre a minha página? Por favor...

Se algumas pessoas consideram as minhas opiniões populistas, parabéns, vão ter que gramar com elas, há coisas mais graves com que se deviam preocupar e não o fazem. Isso para mim é milho para pardais."

O que pensa do fenómeno das fake news e da desinformação na internet? Concorda que são uma ameaça às democracias?

Fake news sempre houve e sempre vai haver. Se são uma ameaça às democracias? Podem ser. Mas convenhamos dizer que as maiores fake news partem dos média tradicionais. E a maior parte das ditas fake news que se espalham na internet, se formos a ver não são tão fake news como parecem. Há, sim, indivíduos que os têm no sítio e que publicam a podridão que a maior parte dos media tradicionais teimam em não mostrar. E é com isso que se devem preocupar. Agora a moda são as fake news. E amanhã, o que será? Eu continuarei a dar as minhas opiniões, quando achar que errar peço desculpa, caso arrumado. Sei que há pessoas que ultrapassam os limites na divulgação das fake news, é verdade, mas são pessoas cobardes que não dão a cara e que se escondem em páginas e sites falsos com IP’s estrangeiros para não serem detetadas. Como se combate isso? Não conseguem. Ao menos eu dou a cara, sempre dei e sempre darei, e quem não gostar tem bom remédio: não leia.

mário gonçalves numa manifestação frente ao Parlamento
Com Assunção Cristas, nos tempos em que militava no CDS

Reconhece que algumas das suas opiniões podem ser encaradas como populistas?

O que os outros pensam de mim não me interessa. Interesso-me por aqueles que me acompanham diariamente, que me apoiam e estão comigo. Se algumas pessoas consideram as minhas opiniões populistas, parabéns, vão ter que gramar com elas, há coisas mais graves com que se deviam preocupar e não o fazem. Isso para mim é milho para pardais.

Quais são as suas referências políticas em Portugal?

Nenhuma!

Critica de forma muito acesa a classe política e o sistema. Posso depreender que não se revê no sistema em que vivemos?

Não me revejo no panorama político nacional e neste sistema controlado e viciado. Como referi acima, são todos uma cambada de salafrários que se reúnem todos os dias para assaltar os bolsos do pobre trabalhador. Você revê-se neste sistema? Um sistema onde a justiça perdoa os maiores corruptos deste país? Que roubaram milhões ao Estado? Que fazem vida de luxo e se forem julgados vão para as suas mansões de pulseira electrónica, com seguranças 24h? Mas estamos a brincar? Um pobre rouba para comer e vai passar uma carrada de anos lá dentro. Mas vivemos onde? O nosso Sistema Nacional de Saúde também, onde acamados morrem nos corredores dos hospitais. Onde doentes chegam a estar nas salas de espera para serem atendidos mais de dez horas depois. IPSS’s com subsídios chorudos para depois gastarem em luxos pessoais? Olhe o caso da Raríssimas. Vítimas dos incêndios: onde está o dinheiro que os Portugueses doaram? Digam-me! Vítimas que continuam a aguardar pela reconstrução das suas casas. Mas vivemos onde? Na Venezuela? Por falar em Venezuela, e o escândalo na Câmara de Loures? O genro do Secretário-Geral do PCP, que ganha 11 mil euros para mudar lâmpadas? Mas isto é o quê?! Acha que me revejo num sistema destes? Não, não me revejo e não me conformo, e enquanto tiver voz irei continuar a chamar os bois pelos nomes, um a um. Gostem ou não.

Tem uma enorme legião de seguidores, de pessoas que claramente se reveem nas suas opiniões. O que pensa que veem em si?

O mesmo que veem nelas próprias e muitas vezes não falam por medo ou por não terem tanto alcance como eu. Veem em mim alguém que aos poucos e sem ajuda da comunicação social (porque é bom realçar isso), vai conseguindo chegar mais longe com a sua voz e as suas ações. E eu, neste momento, não lhes vou virar as costas. Tudo farei para que o nosso país volte a ter a mesma dignidade que outrora. Volte a ser um país falado por ser um país com história e onde valha a pena viver e não por ser falado como um dos países mais corruptos da Europa. É lamentável mas é verdade.

Quais são as suas referências políticas em Portugal?

Nenhuma!

Tem ambições políticas?

Claro que sim. Chegar a ter assento parlamentar pelo meu próprio partido. Para começar, reduzia em menos de metade o número de deputados e depois, com o tempo, trabalhar para conseguir levar Portugal a bom porto. É vergonhoso vermos reformas milionárias para uns e ver idosos a morrer com falta de medicação e alimentação por terem reformas miseráveis de 200 e poucos euros. Pessoas que descontaram uma vida para depois serem retribuídas desta forma. Fora tantas e tantas outras situações.

março Gonçalves
Atrás do seu computador, a partir de onde escreve posts com um alcance superior a um milhão de leitores. Este que aqui vemos já tinha cerca de 20 mil "gostos", 3 mil comentários e 12 mil partilhas

O que pensa que um partido criado por si poderia trazer de novo ao panorama político-partidário nacional?

Já estou a criar um partido político: o UP - Unir Portugal. Já tenho representantes do UP em todos os distritos do nosso país, ilhas e inclusivamente círculos de emigração. Brevemente será agendada a primeira reunião do UP com todos, para combinar estratégias e começar a recolher as assinaturas necessárias. Mas estamos a trabalhar sem pressas. Não somos de direita nem somos de esquerda. Somos um partido do povo para o povo. Aqui todos podem trabalhar e dar a cara pelo seu país. O que podemos trazer de novo ao panorama político-partidário nacional? É muito simples, um país mais justo com direito de igualdade para todos. Um país com uma justiça renovada e os verdadeiros ladrões atrás das grades e a pagar até ao último cêntimo tudo aquilo que roubaram ao povo trabalhador, nem que tenham que vender os seus imóveis de luxo, os seus carros, e que trabalhem sol a sol para ver o que custa ganhar a vida.

Quando prevê criar formalmente o UP?

Ainda este ano, quando tivermos as assinaturas todas para o efeito. Sei que não é fácil criar uma estrutura política a nível nacional. A verdade é que tenho uma excelente equipa a meu lado que me está a ajudar nesse sentido.

As minhas ideias e propostas serão apresentadas brevemente. Posso garantir apenas que todas foram pensadas e estudadas não só por mim, mas por toda a minha equipa. Uma visão para o futuro do país que visa acima de tudo dar uma melhor qualidade de vida aos  portugueses."

Está a pensar em concorrer a eleições a curto prazo?

Não tenho pressa em apresentar-me a eleições. Primeiro quero, como já referi, que o UP se torne realidade. Dentro das normas de legalidade. Só depois se poderá avançar para eleições. A intenção é ser candidato a Primeiro-Ministro. Sendo presidente e fundador do UP, acho que é expectável que assim seja.

Acha que teria alguma hipótese de ser eleito?

Só os Portugueses poderiam decidir. Nada é impossível. Quando o homem sonha, a obra nasce.

Porquê?

Acima de tudo pela pessoa que sou. Uma pessoa íntegra e direta, que não deixa nada por dizer e não se faz mais do que aquilo que é. E também por saber as minhas qualidades e até onde posso chegar, caso essa oportunidade me seja confiada pelos portugueses.

É ou não uma pessoa de extrema-direita?

Nos dias de hoje é fácil conectar a posição de extrema-direita sem que tal exista. A defesa da nossa identidade não pode nunca ser confundida com nacionalismos. Patriotismo não se pode confundir com nacionalismo.

Quais serão as bandeiras do UP?

Não serão bandeiras – será bandeira. A nossa bandeira nacional. As minhas ideias e propostas serão apresentadas brevemente. Posso garantir apenas que todas foram pensadas e estudadas não só por mim, mas por toda a minha equipa. Uma visão para o futuro do país que visa acima de tudo dar uma melhor qualidade de vida aos  portugueses.

O que pensa dos recentes episódios de violência no bairro da Jamaica?

O problema do bairro da Jamaica prende-se, essencialmente, com a perda da consciência dos deveres, tendo-se apenas a consciência dos direitos.Ninguém ainda perguntou por que razão a polícia foi chamada ao local depois de horas de ruído provocado por pessoas que não respeitam os princípios básicos da vida em comunidade. Note-se que os populares pediram ajuda às autoridades; não aos movimentos cívicos que tentaram tirar partido da situação.

Há autoridade a menos em Portugal?

Existe, claramente. Se dúvidas existissem veja-se o aumento da criminalidade, o número de suicídios nas forças de autoridade e o modo como são tratados atualmente pela extrema-esquerda sob o alegado manto dos direitos humanos. Pede-se ao estado português que sancione as polícias pela atuação e uso de meios que o próprio disponibilizou e regulou. Portugal tem o dever de integrar os imigrantes, tanto mais que o passado sempre esteve ligado à emigração. Faz parte do nosso ADN mas obriga a uma relação bilateral de compromisso. Quem queira residir em Portugal tem obrigatoriamente que perceber que tem um papel ativo e não apenas passivo de recebimento de regalias sem quaisquer contrapartidas.

É ou não uma pessoa de extrema-direita?

Nos dias de hoje é fácil conectar a posição de extrema-direita sem que tal exista. A defesa da nossa identidade não pode nunca ser confundida com nacionalismos. Patriotismo não se pode confundir com nacionalismo.

Apoia a liberalização da posse de armas?

Não.

A homossexualidade é uma condição ou uma opção?

Penso que deve ser vista como uma opção sexual.

O que pensa da eclosão dos fenómenos Trump e Bolsonaro?

São reflexo das falências do socialismo.

É favorável à lei do aborto tal qual ela existe em Portugal?

Sim.

Concorda com a liberalização do consumo de drogas?

A questão da droga tem que ser vista na perspectiva da consumidor. O exemplo da Holanda: permite-se o consumo em locais próprios mas penaliza-se o tráfico.

É favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Essa questão não se coloca. Portugal deu um exemplo de tolerância em torno da dignidade do ser humano.

Concorda com a adopção homossexual?

Sim, desde que com os mesmos requisitos dos heterossexuais.

A homossexualidade é uma condição ou uma opção?

Penso que deve ser vista como uma opção sexual.

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