Sim, embora desde 1804 isso só tenha acontecido cinco vezes. O exemplo mais recente ocorreu em 2016, quando o candidato do Partido Republicano, Donald Trump, obteve 46,1% dos votos populares ao nível nacional, enquanto a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, recolheu 48,2%. No Colégio Eleitoral, porém, Trump obteve 304 votos no total, ao passo que Clinton recolheu 227 votos.

Mais controversa foi a disputa em 2000, quando o democrata Al Gore Jr. obteve 48,38% dos votos populares ao nível nacional e o republicano George W. Bush recolheu 47,87%. No Colégio Eleitoral, porém, Al Gore ficou com 266 votos e Bush com 271. O Estado decisivo para a eleição de Bush foi a Florida, onde a votação foi de tal forma renhida que Bush venceu por apenas 537 votos populares, recebendo o apoio de todos os 25 eleitores da Florida no Colégio Eleitoral.

Na medida em que o sistema winner-takes-all vigora em 48 estados e no distrito de Columbia, este cenário não é de todo implausível e surpreende até que não tenha ocorrido mais vezes. Quanto mais renhida for a disputa num desses estados, maior a distorção do resultado ao nível nacional. Como na Florida, em 2000, por apenas 537 votos.

O que acontece se nenhum candidato presidencial alcançar 270 votos no Colégio Eleitoral? Nessa situação, compete à Câmara dos Representantes dos EUA eleger o presidente entre os três candidatos com mais votos no Colégio Eleitoral. Cada delegação estatal tem direito a um voto nessa decisão. Por sua vez, o Senado elege o vice-presidente entre os dois candidatos à vice-presidência com mais votos no Colégio Eleitoral. Cada senador tem direito a um voto nessa decisão.

E se a Câmara dos Representantes falhar na eleição do presidente até ao programado Dia da Inauguração, o vice-presidente eleito serve como presidente em funções até que o bloqueio seja resolvido. Desde 1804, quando o sistema do Colégio Eleitoral adoptou a sua atual forma com a 12ª Emenda, isto aconteceu apenas uma vez: em 1824, quatro candidatos dividiram a votação no Colégio Eleitoral e nenhum deles obteve a maioria necessária. O democrata Andrew Jackson foi o mais votado, tanto no Colégio Eleitoral como ao nível popular, mas acabou por não ser eleito presidente. O segundo mais votado, John Quincy Adams, foi o escolhido pela Câmara dos Representantes.

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