Na sequência de uma notícia publicada na edição televisiva e on-line do jornal Polígrafo, de dia 14 de maio, de 2021, um fact-check, assinado pela jornalista Maria Leonor Gaspar, e transmitido na SIC Notícias, acerca de um conteúdo de um artigo meu publicado a 5 de maio, no jornal Observador, venho exercer o direito de resposta e de retificação, nos termos da lei nº 2/99 de 13 de Janeiro, artigos 24.º e 25.º e 26.º.

A minha afirmação foi: 

  • "Na estação ferroviária de Santa Cruz-Damaia, a entrada superior, que dá acesso ao bairro da Cova da Moura, está encerrada por questões de segurança há 10 anos. Permanece abandonada e vandalizada. Uma população de cerca de 5.000 pessoas sem acesso próximo ao comboio. Muitos trabalhadores e residentes do bairro ignorados há 10 anos. Pessoas trabalhadoras, que se levantam de madrugada cedo, e estudantes que chegam de Lisboa já tarde, pessoas com mobilidade condicionada, obrigadas a percorrer, por uma encosta íngreme, uma distância física de cerca de dois quilómetros. Tudo isto enquanto têm uma entrada cancelada junto ao seu bairro".

Este fact-check veio qualificar a minha afirmação como falsa. 

No entanto, não se consegue descortinar como é que o Polígrafo chegou a esta conclusão, atendendo não só aos factos (a entrada superior de acesso ao Bairro da Cova da Moura está encerrada/a mesma foi encerrada pela primeira vez em 2011/ o seu encerramento foi inclusive objecto de abaixo-assinado dos moradores/a distância a percorrer entre a entrada na Damaia e o bairro é uma encosta íngreme de elevada inclinação e está a cerca de 1,5/2 kms de alguns dos pontos do bairro/parte da população, para atalhar caminho, percorre o trajecto por corta-mato, em terra batida, e em local não iluminado/esta subida não oferece possibilidades de circulação a pessoas que se locomovam em cadeiras de rodas/não existe qualquer elevador de acesso a pessoas com dificuldades de mobilidade) – mas atendendo igualmente ao conteúdo da própria publicação, que de facto confirma parte substancial destes factos.  

Alega o Polígrafo que se deslocou até ao local e que identificou os três acessos a partir da estação ferroviária de Santa Cruz-Damaia. Confirmou que o acesso mais próximo do bairro Cova da Moura, estava mesmo encerrado. Mas, a jornalista não deve com certeza ter feito a distância a pé entre o acesso secundário (aberto, na Damaia) e o acesso para o bairro da Cova da Moura (fechado). É que não basta recorrer à aplicação Google Maps (de resto indicando uma distância que não é correcta). Com efeito, se a jornalista tivesse percorrido a encosta a pé (especialmente no sentido ascendente) ter-se-ia certamente apercebido da diferença de quotas, do grau de inclinação, da existência de um atalho esconso por corta-mato, da impossibilidade de circulação de uma cadeira de rodas por essa ladeira.

Aliás se a jornalista tivesse querido olhar com olhos de ver não veria apenas a sujidade, o abandono e o vandalismo, a que está votada a entrada ferroviária para o bairro da Cova da Moura. E um pouco de investigação poderia até confirmar o que os seus olhos teriam visto: é que este acesso NUNCA teve qualquer elevador (o sítio do elevador está ainda vedado com uma porta de obra, desde que a estação foi inaugurada em 7 de Novembro de 1999 (há 21 anos). 

Mas a senhora jornalista teve oportunidade de falar com residentes do bairro. Uma dessas residentes, Ana, com 56 anos, declara mesmo que o encerramento da entrada lhe faz “muita diferença”. E acrescenta mesmo que “para quem tem dificuldades e mobilidade reduzida, tem de se dar uma volta bastante grande", declarando ainda que até à sua casa, no alto da Cova da Moura, “são cerca de 20 minutos a pé”. 

A senhora jornalista fez, pois, um trabalho jornalístico incorrecto, não factual, e que desprestigia o objectivo declarado do vosso jornal.

  1. O acesso da estação Santa Cruz-Damaia ao bairro da Cova da Moura está encerrado; 
  2. O primeiro encerramento foi há mais de dez anos: ainda a 23 de Maio de 2011 o Correio da Manhã noticiava que “os moradores da Cova da Moura, Amadora, lançaram um abaixo-assinado a exigir a abertura, durante a noite e fins de semana, da entrada superior da estação ferroviária da Damaia, que a CP quer manter encerrada por questões de segurança”; 
  3. O acesso está encerrado por decisão da Infraestruturas de Portugal e da Câmara Municipal da Amadora, devido à insegurança, limpeza e manutenção, com diversas ocorrências reportadas pela PSP; 
  4. O acesso não tem qualquer elevador para pessoas com dificuldade de mobilidade;
  5. A distância que medeia entre o acesso da Damaia (Rua António Aleixo) e o acesso da Cova da Moura é vencida por uma encosta íngreme, de elevada inclinação, com impossibilidade de locomoção por cadeira de rodas;
  6. A população (saudável) atalha caminho por corta-mato, em terra batida, pelo monte, sem iluminação. 

Agradeço assim a rectificação da vossa publicação. Mais do que por mim, ou pela minha candidatura, que não é aqui o mais importante, mas sobretudo pelo respeito pela verdade, e sobretudo, por respeito às pessoas residentes no bairro da Cova da Moura.

Suzana Garcia

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