“BlacKkKlansman: O Infiltrado”, realizado por Spike Lee

O mais recente filme de Spike Lee é tão surrealista que parece ser pura ficção, apesar de se basear no livro de memórias de Ron Stallworth, o primeiro agente de polícia afro-americano de Colorado Springs, EUA, que no final da década de 1970 conseguiu infiltrar-se na célula local do Ku Klux Klan.

Como o Polígrafo já escreveu (pode ler o artigo completo aqui), “apesar das enormes liberdades criativas em tom e estilo, além dos intencionais paralelismos com a América contemporânea, ‘Blackkklansman: O Infiltrado’ reproduz com fidelidade os factos decisivos dos nove meses da investigação de Ron Stallworth (incluindo pormenores delirantes mas reais como o facto de Stallworth ter feito proteção policial por um dia a David Duke, ou de ter tirado uma fotografia de recordação ao lado do 'Grande Feiticeiro' do Klu Klux Klan)”.

No entanto, há várias exceções nessa fidelidade aos factos, nomeadamente o tempo de ação que “é antecipado de 1978/79 para 1972, de forma a incluir-se as pretendidas referências aos blaxploitation movies e ao presumível apoio do Klan à recandidatura presidencial de Richard Nixon em 1972”.

“Green Book - Um Guia para a Vida”, realizado por Peter Farrelly

A história real da digressão pelo Sul dos EUA, no início da década de 1960, do pianista afro-americano Donald Shirley, acompanhado pelo motorista italiano-americano Frank Vallelonga, é retratada neste filme com respeito pelos factos verídicos, embora tomando algumas liberdades criativas.

Nomeadamente a compressão temporal da viagem para seis semanas, quando na realidade se prolongou por 18 meses e não se limitou ao Sul dos EUA, chegando até ao Canadá. Essa compressão levou a alterar datas e localizações da história real, alvo de críticas pelo irmão de Shirley que classifica mesmo o filme como “uma sinfonia de mentiras”. O Polígrafo verificou os factos mais detalhadamente em artigo que pode ler aqui.

“Vice”, realizado por Adam McKay

É um biopic sobre Dick Cheney, antigo vice-presidente dos EUA, durante a presidência de George W. Bush. Focado sobretudo na construção de um retrato psicológico do burocrata que muitos consideram ter sido um dos mais poderosos vice-presidentes da história dos EUA, atribuindo-lhe um papel decisivo em muitas decisões do presidente Bush, nomeadamente a invasão do Iraque em 2003.

Ao nível dos factos históricos, o filme não apresenta erros significativos. Mas o retrato psicológico de Cheney resvala muitas vezes para o surrealismo, indo muito além dos factos biográficos em que se baseia. Várias plataformas norte-americanas de fact-checking têm destacado uma cena em particular, o diálogo em que se justifica a guerra do Iraque e práticas de tortura como o waterboarding (simulação de afogamento), considerando que se trata de uma interpretação subjetiva e pouco fundamentada.

“Bohemian Rhapsody”, realizado por Bryan Singer

É o filme que retrata a vida e a carreira do vocalista dos Queen, Freddie Mercury, ao mesmo tempo que conta a história da ascensão da banda britânica de rock. Como o Polígrafo já destacou (em artigo que pode ler aqui), “Bohemian Rhapsody” inspira-se na história real de Mercury e dos Queen,  alterando porém “a cronologia ou a factualidade de parte do percurso da banda para daí extrair melhores resultados dramáticos (como o empolamento das tensões no interior da banda devido à carreira a solo de Freddie Mercury), mas os erros mais relevantes surgem no retrato da vida privada do vocalista”.

Por exemplo, “ao contrário do que é descrito em ‘Bohemian Rhapsody’, Mercury não conheceu a (breve) namorada e melhor amiga Mary Austin (interpretada pela anglo-americana Lucy Boynton) imediatamente antes de integrar a banda de Brian May (Gwilym Lee) e Roger Taylor (Ben Hardy). Mercury já tinha namorado com Austin e só se reaproximou dela depois de se tornar vocalista dos Queen. Chegaram mesmo a ficar noivos e foi a Austin que Freddie deixou o seu património (no valor de mais de 10 milhões de dólares) após a morte. Mary Austin continua a viver com a família na antiga propriedade de Mercury em Kensington”.

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