Marcelo associou Seguro a um “leão moribundo” num espaço de comentário em 2014?
“Em 2014, nas vésperas de eleições primárias para eleger o novo secretário geral do PS, Marcelo Rebelo de Sousa previu (corretamente) a vitória esmagadora de António Costa sobre José Seguro. Marcelo que era então comentador e é atualmente Presidente da República, lamentou o desfecho de José Seguro no partido. Seguro que se candidata agora para ser o seu sucessor”, destaca-se num vídeo que é agora recordado nas redes sociais. Mas será que Marcelo falava assim de Seguro, novo Presidente da República?
Em causa um excerto do espaço de comentário de Marcelo Rebelo de Sousa no Jornal das 8 , da TVI, emitido a 8 de junho de 2014, a cerca de três meses das primárias do PS. Na altura, o então comentador afirmou que António José Seguro estava em desvantagem face a António Costa e considerou que o tempo que faltava até às primárias seria “fatal” para a sua liderança.
“Cada dia que passa é um PS sem líder. Isto é ótimo para António Costa, que não tem de dizer uma ideia. Apresentou um programa que não tem uma ideia nova porque a diferença em relação a Seguro é ele. Um está desgastado de partida, já não conta, e outro está ‘fresquinho’, é messiânico”, disse.
Antecipando assim vitória de Costa, Marcelo lamentou assim a queda do “pobre homem que fez o caminho das pedras”.
“Seguro merecia outro fim, não este. É doloroso. Sabe que há uma coisa que é terrível, que é bater no leão moribundo e os portugueses às vezes nisso são terríveis. Sentem que o vento mudou e o outro está para chegar, então toca a bater num infeliz que lá esteve”, apontou.
Em suma, é verdade que Marcelo Rebelo de Sousa fez uma associação entre António José Seguro, seu sucessor, e um “leão moribundo”, em junho de 2014, cerca de três meses antes das primárias do PS que ditaram a vitória de António Costa.
Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro
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André Ventura diz que Marcelo Rebelo de Sousa beijou a mão do presidente de Angola. Confirma-se?
“Sabe o que é chacota, António Filipe? Termos um Presidente da República que, com o vosso apoio, vai a Angola, vê-nos ser humilhados, chamados esclavagistas, ladrões – ao país inteiro e não só a ele, mas a todos nós – e ficar quieto, fazer uma vénia e beijar-lhe a mão”, disse esta noite André Ventura no debate frente ao candidato presidencial apoiado pelo PCP.
Mas será verdade que isto aconteceu?
Não há qualquer registo de uma interação como a descrita entre Marcelo Rebelo de Sousa e João Lourenço.
No mês passado, poucos dias depois da visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola, no âmbito dos 50 anos da independência do país, começou a ser partilhada uma imagem que mostra o chefe de Estado português a beijar a mão direita do Presidente da República de Angola.
No entanto, logo na altura meios de verificação de factos como a Lusa Verifica e o Polígrafo confirmaram tratar-se de uma imagem manipulada. Há vários indícios que o demonstram. Como, por exemplo, as ferramentas de pesquisa de imagens não identificarem a presença desta imagem em órgãos de comunicação social antes da sua divulgação nas redes sociais.
A Lusa Verifica localizou fotografias com um enquadramento similar, mas sem o beija-mão de Rebelo de Sousa a Lourenço. Foram captadas pelo fotojornalista João Relvas, em março de 2019, durante outra visita do chefe de Estado português a Angola. Com base nestes registos, percebe-se que a imagem que circula contém elementos que não existem na realidade no espaço em que as fotografias foram captadas, como um candeeiro na parede.
Os vídeos da cerimónia de 2019 também não registaram qualquer beija-mão do Presidente da República Portuguesa ao chefe de Estado angolano naquela cerimónia.
Avaliação do Polígrafo: Pimenta na Língua
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Esta fotografia de Marcelo Rebelo de Sousa internado no hospital é verdadeira?
Circula no Facebook uma imagem que, supostamente, mostra Marcelo Rebelo de Sousa internado no hospital. O Presidente da República foi operado de urgência devido a uma hérnia encarcerada a 1 de dezembro, tendo tido alta dois dias depois.
Mas será que a imagem de Marcelo numa cama de hospital é verdadeira?
Não. Em resposta ao Polígrafo, fonte oficial da Presidência confirmou: “A imagem não corresponde ao internamento de Sua Excelência o Presidente da República no Hospital de São João esta semana”.
A imagem foi submetida a análise da ferramenta de deteção de inteligência artificial Hive Moderation que concluiu que há 99,9% de probabilidade de ter sido gerada com recurso a IA.
Apesar da extensa cobertura noticiosa do internamento e cirurgia de Marcelo Rebelo de Sousa, não há registo de uso da imagem em causa em notícias de meios de comunicação social fidedignos.
Confirma-se: a imagem é falsa e foi criada com recurso a IA.
Avaliação do Polígrafo: Manipulado
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“O Parlamento aprovou a ida do Presidente da República à Alemanha para ir a um festival de hambúrgueres. À conta dos nossos impostos. Acham isto normal? Será que os portugueses não se revoltam?”, escreveu esta quarta-feira o líder do Chega – que votou contra – no X, depois de anunciada a visita oficial do Presidente da República à Alemanha e a participação de Portugal no “Bürgerfest.
Marcelo estará na Alemanha entre hoje e 13 de setembro a convite do seu homólogo alemão, o Presidente Frank-Walter Steinmeier. Mas será que vai a um “festival de hambúrgueres”?
Não. André Ventura traduziu mal o nome do evento e assumiu que se tratava de algo relacionado com hambúrgueres. Na verdade, em alemão, “bürger” significa cidadão, o que significa que Marcelo marcará presença na conhecida “Festa dos Cidadãos”, que acontece anualmente nos jardins da residência oficial do Presidente Federal e serve para honrar o trabalho voluntário e promover o envolvimento cívico dos cidadãos.
Portugal é, este ano, país convidado para este festival que, embora possa ter áreas de alimentação, não tem a componente gastronómica como foco principal e muito menos se trata de um festival dedicado a hambúrgueres.
Avaliação do Polígrafo: Pimenta na Língua
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Vídeo de Marcelo a arrancar tampa da porta de emergência em avião é real?
“É só puxar a tampa“, ouve-se dizer no clip de vídeo em causa, protagonizado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que aparece nas imagens sentado no interior de uma aeronave, durante um voo, junto a uma das portas de emergência. “Mas tirar mesmo assim?”, questiona, enquanto mexe numa placa na parte superior da porta.
É nesse momento que a placa (ou tampa) sai projetada velozmente para o chão, gerando espanto e sorrisos entre os intervenientes. Rebelo de Sousa começou por parecer assustado mas acabou por sorrir e comentar, em forma de justificação para o sucedido: “Então disse para eu fazer força!”
O vídeo está a ser partilhado viralmente nas redes sociais, com referências ao “Presidente mais engraçado”, mas há quem não acredite que seja autêntico.
Aconteceu mesmo, só que não foi durante um voo. Em outubro de 2017, Rebelo de Sousa visitou o Centro de Formação Aeronáutica dos Açores, operado pela companhia aérea SATA, onde participou em várias demonstrações.
No interior de um modelo de aeronave, em terra, uma das demonstrações consistiu na abertura de uma porta de emergência lateral. Foi nessa situação que o Presidente da República terá puxado com demasiada força a tampa do acesso aos manípulos de abertura da porta.
O momento foi registado em vídeo, difundido na altura por vários jornais.
Em conclusão, o vídeo é real, aquela situação aconteceu mesmo, embora não tenha sido durante um voo, ao contrário do que se sugere em algumas publicações nas redes sociais.
Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro
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Costa e Marcelo falharam inauguração em Pedrógão para ver jogo da seleção nacional de futebol?
“Até quando vamos permitir estas situações? Neste passado sábado, que evoca exactamente sete anos decorridos sobre a desgraça de Pedrógão, [PM e PR] preferiram ir ver a selecção jogar com a Bósnia do que irem inaugurar e prestar homenagem às cerca de 150 vítimas dos incêndios de 1977”, destaca-se num “post” divulgado este domingo, 18 de junho, no Facebook.
A uma fotografia de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, sentados ao lado um do outro no Estádio da Luz, junta-se o registo do memorial às 66 (e não 150) vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, que deflagraram em 2017 (e não em 1977). Imprecisões significativas mas que pouco influenciam o carácter da publicação: afinal, o objetivo é mesmo condenar o PM e o PR por terem preferido ver o jogo da seleção portuguesa contra a Bósnia ao invés de marcarem presença na inauguração do monumento projetado por Eduardo Souto Moura. Será assim?
A suposta “inauguração”, que não passou de uma abertura, aconteceu na última quinta-feira (15 de junho): o memorial que, além de uma escultura, é composto ainda por um lago artificial, fica ao lado da estrada que liga Castanheira de Pêra ao IC8, a Nacional 236, e foi aberto ao público nas vésperas do sexto aniversário do incêndio.
Nesse dia, não houve qualquer cerimónia e não foi registada a presença de nenhuma entidade oficial do Estado. No dia do aniversário do incêndio, 17 de junho, António Costa garantia no Twitter: “Não há ano que passe que nos faça esquecer a tragédia dos incêndios de 2017. Curvemo-nos perante a memória das vítimas e expressemos sempre respeito pela dor das famílias. Concluída esta semana a obra projetada por Eduardo Souto Moura, em data a escolher pela CIM (Comunidade Intermunicipal) e de acordo com as famílias, aí devemos homenagear permanentemente os que perdemos.”
De resto, e no que respeita ao jogo Portugal-Bósnia, é efetivamente verdade que quer o PM quer o PR marcaram presença no Estádio da Luz para assistir ao jogo de qualificação do grupo J para o Europeu 2024. Apesar de o evento não constar da agenda de António Costa, a Presidência da República fez notar que o PR “assistiu, no estádio da Luz, à vitória da Seleção Nacional de Futebol por 3-0 frente à Seleção Nacional da Bósnia e Herzegovina, em jogo de qualificação do Euro’2024”.
Avaliação do Polígrafo: Pimenta na Língua
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Marcelo utilizou o Falcon do Estado português para “resgatar” os seus netos da China?
É um dos posts mais partilhados no Facebook nos últimos dias: supostamente Marcelo Rebelo de Sousa teria movido influências políticas durante o passado mês de Janeiro no sentido de, face à pandemia de Covid-19 que então abundantemente se expandia na China, trazer as suas netas em segurança para Portugal – e que para isso não terá olhado a meios. Diz o texto:
“Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República de Portugal, confessou hoje que os seus netos estavam na China quando o vírus tomou a população daquele país. “Apenas sei do que se passou na China, pelo que os meus netos me contaram”. Nunca tendo referido que em Janeiro de 2020 o falcon da Força Aérea portuguesa foi resgatar os seus netinhos à China”.
Disseminado até à exaustão no Facebook, este post reproduz informações falsas.
O Polígrafo contactou a Presidência da República, que através de fonte oficial confirmou que efetivamente Marcelo Rebelo de Sousa tem três netas que vivem em solo chinês. Descendem do filho do seu primeiro (e único) casamento e estudam na cidade de Shenzhen, com cerca de 12 milhões de habitantes, considerada a próxima “meca da inovação” mundial pela sua economia crescente, muito alicerçada nas novas tecnologias.
Ainda de acordo com a mesma fonte oficial, a dada altura as crianças começaram a estranhar quando lhes começaram a medir a temperatura à entrada e à saída da escola. A epidemia estava a alastrar perigosamente e as autoridades sanitárias impuseram medidas preventivas muito fortes à entrada de todos os estabelecimentos onde se geravam aglomerações populacionais.
Entretanto, com a chegada da comemoração do Ano Novo chinês – que em 2020 foi o Ano do Rato e se celebrou a 25 de Janeiro – as aulas foram interrompidas e as netas de Marcelo aproveitaram para se deslocarem a Portugal para passarem alguns dias em família, tendo-se feito transportar para o efeito num voo comercial.
Com a evolução dramática da Covid-19 na China e posterior expansão mundial, a família do Presidente da República considerou prudente que as crianças permanecessem em território nacional até que estejam criadas as imprescindíveis condições de saúde pública para que regressem a solo chinês.
Avaliação do Polígrafo: Falso
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Marcelo Rebelo de Sousa foi “humilhado” no Conselho da Europa por causa da corrupção em Portugal?
O chamariz para a publicação é um meme focado na imagem de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, com a seguinte mensagem: “Mais do que a humilhação do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa na Europa; é a humilhação de um país inteiro devido aos altos níveis de corrupção e nepotismo“.
Trata-se de uma publicação que acumula centenas de partilhas nas redes sociais e destaca logo no título que “Marcelo é humilhado em Conselho da Europa a propósito dos altos níveis de corrupção em Portugal e nepotismo“.
“Portugal a ser envergonhado internacionalmente no Conselho da Europa e, ainda por cima, de forma merecida”, lê-se no texto, seguindo-se uma pergunta retórica: “Foi necessário ser uma deputada espanhola, em Estrasburgo, a verbalizar as perguntas que se impunham?”
Confirma-se que Rebelo de Sousa foi “humilhado” no Conselho da Europa por causa da corrupção em Portugal? Verificação de factos.
No dia 26 de junho de 2019, o Presidente da República Portuguesa marcou presença e discursou numa sessão da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, a convite da respetiva presidente, Liliane Maury Pasquier. Ao discursar, Rebelo de Sousa sublinhou que a democracia requer “um esforço diário” porque “nunca está completa” e apelou ao combate à corrupção.
No dia anterior tinha sido apresentado um relatório do Grupo de Estados Contra a Corrupção (GRECO), órgão de monitorização anti-corrupção do Conselho da Europa, indicando que Portugal foi o país com a maior proporção (73%) de recomendações não implementadas, seguido da Turquia (70%).
Segundo o mesmo relatório, o qual analisa o nível de implementação de recomendações para prevenir a corrupção no sistema judiciário, no que diz respeito ao número total de medidas não aplicadas, a Turquia surge à frente com 26 medidas não implementadas, seguindo-se Portugal (11), Grécia (10), Sérvia (10), Bélgica (8) e Bósnia-Herzegovina (8).
Foi com base nas conclusões desse relatório que, na referida sessão da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, a deputada do partido espanhol Ciudadanos, Melisa Rodríguez, questionou o Presidente da República Portuguesa sobre a não implementação da maior parte das recomendações do GRECO. Na sua intervenção referiu também os casos de nomeações de familiares no atual Governo português, liderado por António Costa.
Num vídeo partilhado pelo Ciudadanos no Twitter destaca-se a seguinte pergunta dirigida a Rebelo de Sousa: “O que é que fará para que o Governo socialista se comprometa a combater a sério a corrupção?”
É verdade que se tratou de um momento embaraçoso ou incómodo para o Presidente da República Portuguesa, desde logo porque estava perante uma deputada espanhola (e sob condicionantes diplomáticas, históricas e políticas), mas a conclusão de que “Marcelo é humilhado em Conselho da Europa a propósito dos altos níveis de corrupção em Portugal e nepotismo” consiste numa extrapolação ou mesmo deturpação do sucedido.
Por outro lado, importa ressalvar que a não implementação de recomendações para prevenir a corrupção não significa ou equivale automaticamente a “altos níveis de corrupção em Portugal e nepotismo”.
Mais, o facto é que Rebelo de Sousa não ficou em silêncio. É verdade que foi confrontado no Conselho da Europa, mas dizer que foi “humilhado” merecer ser classificado como falso. Nem a pergunta foi vexatória, nem Rebelo de Sousa deixou de responder. Aparentemente tranquilo, disse que estava a par de todas as recomendações.
Avaliação do Polígrafo: Falso
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Marcelo Rebelo de Sousa ensinou a “beijar de língua” em aula do “Estudo em Casa” na RTP?
“O que apetece, eu digo-vos o que é que me apetece… Beijar! Eu tenho a fama de beijoqueiro, mas é verdade! Sou beijoqueiro! E faz-me falta beijar de manhã, à tarde, à noite! E no outro dia aconteceu-me uma cena incrível que ainda bem que não foi apanhada pela televisão, senão era o fim do mundo. Quando pude beijar de língua, até que enfim. Duro. O Presidente da República tem que dar o exemplo, não é? Portanto, aconteceu, a coisa mais importante da vida é beijar. Como? De língua, de pé, de pernas para o ar, de toda a natureza. Dando carinho uns aos outros. O que parece, noutras ocasiões, pequeno, passa a ser enorme, enorme, duro… Vocês tiveram a mais importante aula da vossa vida. Beijar, não se esqueçam disso”, parece dizer Marcelo Rebelo de Sousa no vídeo em causa, difundido nas redes sociais.
As imagens do vídeo são recolhidas a partir da aula ministrada pelo Presidente da República no âmbito do programa “Estudo em Casa” na RTP, emitido no dia 15 de junho (pode consultar aqui a gravação).
O Polígrafo analisou a gravação da aula e verificou que Rebelo de Sousa não proferiu tais declarações, tendo abordado temas relacionados com a pandemia de Covid-19.
Através de um processo de adulteração de imagem e voz, provavelmente utilizando frases e palavras isoladas a partir de entrevistas ou declarações públicas de Rebelo de Sousa, produziu-se assim um vídeo falsificado, para enganar as pessoas.
Não é o primeiro vídeo adulterado ou falsificado de Rebelo de Sousa que surge recentemente nas redes sociais, através de centenas ou milhares de partilhas. Em meados de novembro, o Polígrafo deparou com um outro vídeo em que o Presidente da República aparecia a dizer que a pandemia “é uma invenção” e serve para “controlar” os cidadãos.
Nesse caso, as imagens foram recolhidas a partir de uma entrevista à RTP, emitida no dia 2 de novembro. Essas declarações, com aquele sentido e contexto, também não foram proferidas pelo visado no logro em formato audiovisual.
Avaliação do Polígrafo: Manipulado
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“Durante o mandato que está em curso eu exerci o direito de veto relativamente a diplomas do Governo e a diplomas da Assembleia da República mais vezes do que generalidade dos meus antecessores”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, na entrevista de segunda-feira à TVI, na qualidade de candidato a um segundo mandato na Presidência da República.
Esta afirmação tem sustentação factual?
Sim. A pedido do Polígrafo, o gabinete da Presidência da República disponibilizou os dados relativos ao número de vetos presidenciais a diplomas da Assembleia da República e do Governo exercidos por Rebelo de Sousa e pelos seus três antecessores mais próximos, deixando de fora António Ramalho Eanes e outros dois Presidentes do período entre 1974 e 1976.
Tendo em conta apenas o número de vetos no primeiro mandato, Rebelo de Sousa foi até agora o Presidente que mais diplomas devolveu, sem promulgação, à Assembleia da República e ao Governo, nos primeiros cinco anos na Presidência da República.
Importa ressalvar que o mandato do atual Presidente só termina no dia 9 de março de 2021, pelo que estes números são provisórios e referentes ao período entre 9 de março de 2016 a 22 de dezembro de 2020.
O atual Presidente da República utilizou o direito de veto político por 22 vezes no total. O seu antecessor imediato, Aníbal Cavaco Silva, vetou 15 vezes entre 2011 e 2016.
Por sua, vez, Jorge Sampaio optou por não promulgar 12 diplomas durante o seu primeiro mandato no Palácio de Belém. Mário Soares foi o Chefe de Estado que menos diplomas devolveu nos primeiros anos de Presidência: 10 no total.
Analisando os dois mandatos dos antecessores de Rebelo de Sousa conclui-se que Sampaio foi quem mais diplomas vetou. Apesar de no seu primeiro mandato (1996-2001) ter utilizado esse poder apenas em 12 ocasiões, nos cinco anos seguintes devolveu 63 diplomas, 55 deles ao Governo. Durante os 10 anos que exerceu funções no Palácio de Belém, Sampaio recorreu ao veto por 75 vezes.
Rebelo de Sousa encontra-se a apenas três vetos de igualar o total de devoluções de diplomas efetuadas por Cavaco Silva durante os seus dois mandatos na Presidência da República, além de já ter ultrapassado o número de vetos de Mário Soares – apenas 20 durante os seus 10 anos como Chefe de Estado.
Em suma, a afirmação sob análise corresponde à verdade. No primeiro mandato na Presidência da República, Rebelo de Sousa foi, até ao momento, o Presidente que mais vezes utilizou este poder de impedimento à existência jurídica de uma lei, decreto-lei ou decreto regulamentar.
Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro
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