Prova, mastiga, deita fora. Era assim que, em 1981, ao estabelecer uma comparação com o tempo de vida útil de uma pastilha elástica, a canção da banda portuguesa “Táxi” criticava a “sociedade de consumo imediato”. Hoje, mais de quarenta anos depois, a mesma analogia pode servir para descrever a fast-fashion, uma “moda-chiclete” dedicada a fabricar e vender roupa que rapidamente será descartada e substituída pela próxima tendência. 

Em 2013, o desabamento de um prédio de três andares onde funcionava uma fábrica de tecidos no Bangladesh provocou a morte de pelo menos 377 pessoas e chamou a atenção para as condições precárias em que trabalham alguns operários desta indústria. 

Com o tempo, à preocupação com o impacto social deste setor somou-se outra que merece cada vez mais atenção dos meios de comunicação social, das organizações, das empresas e dos consumidores: o impacto ambiental. Prova disso é que, em 2019, a ONU lançou a Aliança das Nações Unidas para a Moda Sustentável, para tentar “interromper as práticas ambientalmente e socialmente destrutivas da moda e, em vez disso, aproveitar a indústria como um motor para melhorar os ecossistemas do mundo”.

Afinal, como é que a indústria da moda, e em particular a fast-fashion, afetam o ambiente?

Em primeiro lugar, as agências da ONU destacam, com base nos dados reunidos pelo Instituto Mundial de Recursos (World Resources Institute), que “a indústria da moda é responsável por entre 2% e 8% das emissões globais de dióxido de carbono”, um gás com efeito de estufa que contribui para as alterações climáticas.

Além disso, segundo outro artigo publicado na página das Nações Unidas, esta indústria produz “20% da produção das águas residuais globais” e gasta, em apenas um ano, cerca de “93 mil milhões de metros cúbicos de água”. A título de exemplo, a ONU aponta que para produzir um par de calças de ganga pode ser necessário gastar perto de oito mil litros de água.

No mesmo plano, um artigo publicado na página do Instituto Mundial de Recursos lembra que “o consumidor médio comprou 60% mais roupas em 2014 do que em 2000, mas manteve cada peça por metade do tempo” e sublinha que “o vestuário descartado feito de tecidos não-biodegradáveis pode ficar em aterros por até 200 anos”.

Importa sublinhar que, apesar de a produção de roupa ter aumentado ao longo dos anos, os dados de um relatório da Fundação Ellen MacArthur mostram que o número de vezes que uma peça é utilizada tem diminuído.

Por outro lado, um relatório do Programa das Nações Unidas para o meio ambiente revela que “estender a vida útil das roupas (incluindo uma maior reutilização) e práticas mais sustentáveis de lavagem” das mesmas podem ajudar a gerar uma maior poupança de dinheiro e de recursos.

Para isso, os autores dos relatórios aconselham os órgãos com poder de decisão a “criar indicadores de durabilidade para as roupas”, a “estimular novos modelos de negócios (como aluguer de roupas)” e  a  “educar os consumidores quanto a práticas mais sustentáveis” de lavagem das roupas.

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EMIFUND

Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

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