1. Mudanças climáticas como a atual sempre aconteceram

O clima da Terra nunca é totalmente estável. A temperatura média do planeta e a concentração de dióxido de carbono (CO2) variam ao longo do tempo. Ainda assim, é importante perceber que há uma diferença significativa entre esses ciclos naturais e o aquecimento súbito verificado no planeta no último século.

A temperatura na Terra já foi parecida com os piores cenários possíveis do aquecimento global. No período Pliocénico, por exemplo, há 3,3 milhões de anos, a concentração de dióxido de carbono (CO2) pode ter chegado a 450 partes por milhão (ppm) e a temperatura média pode ter sido 3°C mais elevada do que no início da Revolução Industrial.

Ainda antes disso, há 250 milhões de anos, no período Triássico, a temperatura da Terra chegou a ser 7ºC mais alta do que no período pré-industrial, enquanto a concentração de CO2 chegou a ultrapassar quatro mil partes por milhão no final dessa era geológica.

No entanto, mudanças climáticas como as que foram referidas ocorreram sempre de forma gradual, medidas em escalas de centenas de milhares de anos. Quando ocorreram de forma abrupta, causaram extinções em massa.

2. Aumento da temperatura do planeta deve-se ao facto dos instrumentos de medição estarem localizados em cima do asfalto ou próximos de ilhas urbanas de calor

Um estudo da Berkeley Earth, uma organização norte-americana que analisa dados de temperatura da Terra, reuniu informações de 36.869 estações meteorológicas, quase metade delas em áreas rurais, desde 1950. A pesquisa verificou a mesma tendência de aquecimento em locais urbanos e rurais: cerca de 1°C ao longo do último século.

Além disso, de acordo com a NASA, a temperatura média da Terra em 2019 foi 0,98°C mais alta que a média de 1951 a 1980. A análise mostra que 19 dos 20 anos mais quentes dos últimos 140 anos, ocorreram no século XXI. A exceção foi 1998, ano em que o fenómeno meteorológico “El Niño” foi acentuado.

Não só os termómetros, mas também, desde o fim dos anos 1970, satélites e balões meteorológicos são usados para recolher dados sobre o clima e mostram resultados semelhantes.

3. Nevões e recorde de temperaturas baixas são evidências de que o aquecimento global não existe

O aumento da temperatura média no planeta não é uniforme em todas as partes da Terra e fenómenos de frio extremo podem acontecer. Em 2019, por exemplo, ocorreu uma onda de frio histórica nos Estados Unidos, que causou um dos invernos mais extremos alguma vez registados no país.

Ao mesmo tempo, porém, a Austrália registava o seu verão mais quente de sempre, com temperaturas 2,1°C acima do esperado. Assim, 2019 foi o segundo mais quente de todo o registo histórico desde 1880, apenas atrás de 2016.

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Num clima próximo do estável, o número de registos máximos tende a ser igual ao de registos mínimos. Contudo, o que se verifica atualmente é que os picos de calor tornaram-se muito mais frequentes que os picos de frio. O serviço de registos diários de temperatura da Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (Noaa) mostra que, nos últimos 365 dias (a contar de 26 de maio de 2021 para trás), houve 58.403 quebras de recorde de temperatura máxima e 27.423 recordes de temperatura mínima.

Além disso, alguns eventos extremos de frio podem ser causados, paradoxalmente, pelo aquecimento global. Alguns cientistas correlacionam o desequilíbrio do vórtice polar, causador do frio extremo no inverno de 2019 nos Estados Unidos, ao enfraquecimento dos ventos da chamada corrente de jato, causadas pelo aumento das temperaturas no Ártico.

4. A caça é a maior ameaça aos ursos polares e não o aquecimento da Terra

Embora, de facto, a caça seja uma ameaça, o aquecimento global também está a afetar algumas populações destes mamíferos, uma vez que os ursos polares são extremamente dependentes do gelo marinho para se alimentarem e para outros aspetos do seu ciclo de vida. Dados de satélite mostram que o gelo marinho do Ártico tem diminuído nos últimos 30 anos e as projeções mostram que essa tendência vai permanecer enquanto as temperaturas continuarem a subir.

A redução, retração ou fragmentação do gelo, que é o habitat natural dos ursos polares, pode fazer com que necessitem de intervenção humana em grande escala. A retração precoce no verão, por exemplo, significa que os ursos têm menos tempo para caçar e, consequentemente, menos tempo para acumular reservas de gordura. A fragmentação e a redução do gelo obriga os ursos a nadar grandes distâncias, queimando parte das suas reservas de gordura.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), na Baía de Hudson, no norte do Canadá, onde habita uma das populações mais estudadas, a fragmentação dos blocos de gelo começou muito mais cedo que o normal, reduzindo o período de alimentação em cerca de três semanas. Como resultado, o peso médio das fêmeas caiu cerca de 21% entre 1980 e 2004, e a população diminuiu 22% entre 1987 e 2004.

5. Glaciares do Alasca, Canadá, Nova Zelândia, Gronelândia e Noruega estão a crescer

Há um consenso científico no que diz respeito ao facto dos glaciares estarem a diminuir. Um estudo publicado, em 2011, pelo "World Glacier Monitoring Service" (WGMS), que monitoriza variações de massa, volume, área e comprimento dos glaciares, comparou medições de 136 glaciares e concluiu que 90% deles estão a recuar. O glaciar de Chacaltaya, na Bolívia, desapareceu completamente, e dois outros, na Itália e na China, partiram-se ao meio.

O WGMS acompanha um total de 228 glaciares, dos quais 30 são monitorizados desde, pelo menos, 1976, e são usados como referência. A observação desses glaciares, mostra que a perda de massa entre os anos 1996 a 2005 é mais que o dobro da taxa de perda de massa da década anterior, e mais de quatro vezes a taxa de perda de massa de 1976 a 1985. No período mais recente, dois glaciares cresceram e 28 diminuíram.

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